
Para incentivarem a Selecção, 18 788 mulheres do meu país reuniram-se hoje no Jamor e construíram a mais bela bandeira do mundo.
Não as defraudem!
Em tempos, um conhecido árbitro de futebol, hoje romancista e comentador, protagonizou um episódio que ficou famoso. Na arbitragem de um jogo cometeu um erro que terá prejudicado grandemente uma das equipas. Uns dias depois quando um jornalista lhe pediu para comentar o referido lance, embora não o tivesse afirmado literalmente, reconheceu o erro com uma frase que ainda hoje a tribo do futebol usa e, muitas vezes, abusa. Disse ele: “ao ver as imagens da jogada fiquei cá com uma azia!...”
No último número da notícias magazine, Julie Daurel, leva-nos à descoberta do litoral baiano, numa reportagem a que dá o sugestivo nome de "Bahia de todos os sonhos...". O texto é complementado por belas fotos de Nicolas Millet. A viagem começa em Salvador, ou Bahia como os baianos gostam de lhe chamar. A cidade, hoje património da humanidade, a Lisboa dos trópicos, tem a sua origem na colónia fundada por um jovem náufrago Português que aqui aportou no início do século XVI, conseguindo, sabe-se lá por que artes, não ser comido pelos Tupinambás. Até ao século XVIII, a Bahia, centro nevrálgico do comércio da cana-de-açúcar, será a capital do Brasil, perdendo esse título quando o ouro e os diamantes de Minas Gerais começaram a fazer valer a sua importância.
Ontem, às oito horas da noite como se impunha, Scolari falou. Começou por dizer umas tretas que não tinham qualquer razão de ser e, de seguida, passou a anunciar os vinte e três que nos representarão na Alemanha. Se a primeira parte da sua intervenção me causou algum espanto, por totalmente deslocada, já a segunda não trouxe qualquer novidade. Aliás, continuo a não entender como ainda há pessoas que esperavam ver o Ricardo Quaresma na selecção - que os treinadores de bancada tivessem ficado estupefactos e revoltados pela sua não inclusão, ainda vá que não vá, mas os jornalistas senhor?!
A nossa ministra da educação tem andado num afã tremendo desde que assumiu a pasta há já mais de um ano.
A Europa é, desde há mais de vinte séculos, o farol do mundo. Perdoem-me aqueles que dizem que essa função se deslocou, definitivamente, para outras paragens. Contraponho que duas gerações de liderança, não são tempo suficiente para que se tirem conclusões definitivas sobre tão importante matéria.
Felisberta Cabrinha é jornalista. Como todos os jornalistas, Felisberta tem a sua carteira de informadores a que recorre sempre que necessário. Hoje vai escrever sobre o Congresso do CDS mas ainda não decidiu como irá titular o artigo: se "Congresso Extraordinário do CDS" se "Extraordinário Congresso do CDS". A dúvida tem a ver com o que o informador lhe contou: o Congresso, convocado extraordinariamente pelo líder, tinha o seu início marcado para as 10 horas da manhã, mas, a essa hora, apenas tinha chegado um congressista - embora o informador lhe tenha dito que era um betinho com pretensões de liderar o partido, Cabrinha não utilizará essa informação.
Periodicamente, Clara Pinto Correia escreve no 24 Horas, mantendo uma coluna a que dá o sugestivo nome de "O fio da navalha". Na última Sexta-feira verteu lá uma prosa que de tão prodigiosa decidi transcrevê-la para que, eventualmente, mais alguns possam ter a oportunidade de lê-la. Dizia assim:
Em Portugal o mercado de animais de companhia não pára de crescer e representa já um volume de negócios de duzentos milhões de euros anuais. Enquanto a economia desde há três ou quatro anos anda roçando o limiar de recessão, este mercado tem subido acima dos dez por cento ao ano.
O "Norteshoping" tem 3 pisos de estacionamento. Um deles tem a particularidade de se situar, literalmente, na cobertura do edifício. O arquitecto Eduardo Souto Moura imaginou uma peculiar forma de aceder ao referido estacionamento. Idealizou um cilindro com uma dupla hélice na sua superfície lateral: por uma sobe-se; pela outra desce-se. O interior do cilindro foi aproveitado para um espaço cultural: "Silo". Um belo e monumental espaço cultural, diga-se em abono da verdade, premiado - Prémio de Opinião - pela FAD (Foment de les Arts Decoratives) de Barcelona.
Roque Marinho é o decano dos professores de História. No início de Abril distribuiu por todos os outros 83 professores da sua escola um inquérito onde fazia apenas uma pergunta:
D. António Montes, vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, é, também por inerência do cargo que ocupa, uma voz importante da hierarquia da Igreja. Ontem, ainda que com anos de atraso, veio dizer que a Igreja estaria disposta a considerar o uso do preservativo como um "mal menor". Embora não se compreenda bem como a Igreja contemporiza com o mal, ainda que menor, é de salientar a inversão da opinião da igreja acerca deste tema que motivou em tempos um olhar crítico do cartoonista António. Não sei se com a nova postura da Igreja sobre este assunto se vai passar a usar mais o preservativo, duvido até que isso se venha a verificar, mas o que não posso deixar de dizer era a revolta que me causava a pregação contra o preservativo enquanto quase metade da população da África subsariana se infectava com o vírus da SIDA. A igreja é uma estrutura dinâmica, não há qualquer dúvida, e reconhece os seus erros... embora que por vezes demasiado tarde.

Abriu hoje a Festa do Livro, na Praça da República. Logo que possa passarei por lá. Procurando bem, podemos ter a sorte de encontrar algo interessante. No ano passado, entre outras coisas, encontrei um livro delicioso ao preço da uva mijona: "A vida deste rapaz" de Tobias Wolff. Um livro autobiográfico que retrata a infância e adolescência do autor. As suas deambulações pela América profunda, seguindo a mãe, entretanto separada do pai. A dificuldade em enraizar-se em qualquer lugar. A relação tensa com os ocasionais companheiros da mãe. Enfim, uma pequena maravilha. Há uma versão "em celulóide" com o Robert de Niro e o Leonardo DiCaprio, mas não conheço. Se não leu, aconselho-o vivamente a passar por lá. Parece não ter grande procura por isso talvez encontre ainda um exemplar.
Semanalmente, aos Sábados, Rui Reininho escreve no Jornal de Notícias. Não fora o modo peculiar como o músico escreve as suas crónicas e, por si só, isto não seria notícia. Todas as Segundas, talvez ainda moído pelos afazeres do fim de semana, Reininho tem dificuldade em dormir. Então, senta-se na frente do computador, liga-se à net e toca a navegar. Ao sabor do vento, já se vê. Tudo o que lhe soe, vai guardando, e, ao fim de algum tempo, quando acha que tem material suficiente para obrar uma bela coluna, cola tudo e vai cortando aqui e ali até ficar no tamanho conveniente. Agora é só enviar por correio electrónico para a redacção e, com a sensação do dever cumprido, pode, finalmente, dormir.