11 julho 2006

SEM EMENDA

Não temos mesmo emenda! Então não é que o Senhor Madaíl vai pedir ao Governo que isente de IRS o prémio devido aos nossos homens da bola pelo facto de representarem o país no Mundial de Alemanha?
Vê-se que este senhor não entendeu nada do que disse o Presidente da República na Alemanha quando instou todos os Portugueses a aproveitarem a energia gerada pela louvável participação portuguesa no mundial, encaminhando-a para outras batalhas. Senhor Gilberto Madaíl, pagar os impostos que são devidos a qualquer rendimento, é uma obrigação de todos e de cada um! Do atleta fora de série que se esforçou por elevar o nome do seu país e do trabalhador que com o ordenado mínimo luta para dar aos seus filhos um futuro melhor. Com dirigentes como o senhor, jamais sairemos vencedores desta contenda. Por favor, desminta-se ou, então, cale-se!
E já agora, será que os verdadeiros interessados ter-lhe-ão encomendado qualquer sermão? Será que o Figo e companhia concordarão com essa monstruosidade? Gostaria de o saber...
Talvez que um destes dias qualquer um deles diga algo sobre o assunto.

09 julho 2006

ITÁLIA CAMPEÃ

Na sua última crónica, antes da final do mundial, Francisco José Viegas dava-nos a conhecer o seu desejo para o jogo: que perdessem os dois. Eu não iria tão longe mas que gostei de ver aquele senhor vestido de corvo saboreando sozinho a derrota, lá isso gostei.

VICTIS HONOR!

A Selecção Portuguesa de Futebol, que no campeonato do mundo da Alemanha conquistou um honroso 4.º lugar, regressou hoje. O país agradeceu-lhes o feito e eles ficaram sensibilizados com esse gesto. Foi bonito de se ver.
Obrigado rapazes! Ficamos a torcer pela vossa próxima vitória.

08 julho 2006

PROFESSORES DE FRANCÊS

Semanalmente, de segunda à sexta, José Coimbra e Carla Rocha, ajudam, estou certo disso, uma quantidade enorme de portugueses a começar alegremente o seu dia. Apresentam o “café da manhã” na RFM e distribuem alegria, inteligência e boa disposição por todos aqueles que os sintonizam. Ontem promoveram um concurso em que ofereciam uma viagem a Estugarda para assistir ao jogo entre Portugal e Alemanha para atribuição do 3.º lugar do campeonato do Mundo de Futebol, ao concorrente que acertasse numa determinada pergunta, geralmente relacionada com o dito. Chegada a vez do 2.º participante – a comunicação era feita por telefone –, depois dos cumprimentos iniciais, o José Coimbra, antes de fazer a pergunta, fez um comentário acerca do recente Portugal – França, perguntando, de seguida, ao concorrente: “Está triste, não? Foi uma pena aquilo que nos aconteceu!”, ao que o concorrente respondeu: “Bom, nem por isso. Sabe eu naquele jogo estava dividido”. “Sim, mas é português!”. “Sim, sou, mas sabe, sou professor de Francês e naquele caso estava realmente dividido”. O José Coimbra costuma ter as respostas apropriadas na ponta da língua. Notou-se pela inflexão da sua voz que as declarações daquele concorrente o apanharam desprevenido, a ponto de não conseguir reagir apropriadamente, caso contrário ter-lhe-ia dito que o regulamento daquele concurso proibia que portugueses divididos nele participassem. Sorte a de todos nós que o concorrente errou a pergunta e, desse modo, o simpático radialista livrou-se daquela nefasta companhia para a viagem até Estugarda. Ouvindo isto veio-me à memória uma conversa que em tempos tive com um amigo meu. A certo ponto dizia-me ale: “Sabes, o meu filho disse-me que a professora de Francês passa a vida a maltratar tudo que é português e a glorificar tudo que é Francês. Diz ela que somos uns ignorantes, uns mesquinhos e uns atrasados e só não vai definitivamente para a França porque a família não a acompanha, caso contrário não ficaria cá nem mais um dia”. Na altura, embora não o tenha feito sentir ao meu amigo, achei um pouco exagerado tudo aquilo – os miúdos efabulam com demasiada regularidade – mas agora depois de ouvir o senhor professor dividido, questiono-me: será que há muitos professores de Francês a prestarem assim este péssimo serviço ao país?
Senhor professor, há ocasiões em que as circunstâncias não permitem que sejamos neutros. Esta, seguramente, era uma delas.
Senhora professora, permita-me que lhe lembre que uma das mais nobres funções de um professor é incutir no espírito dos seus alunos o sentimento do amor à Pátria. À Pátria deles, entenda-se. O país somos nós todos, se vai mal está na nossa mão mudá-lo!

04 julho 2006

100 DIAS

"- Estás a ver - disse-lhe -, nem sempre os grandes poetas são diarreicos, às vezes são obstipados..."
Umberto Eco, Baudolino
Se me não falha a aritmética faz hoje 100 dias que passei a fronteira. Quando um executivo assume funções governativas, é costume, passados que são os cem primeiros dias de governo, fazer um balanço do trabalho realizado. As mais das vezes apenas para nos atormentar a consciência, diga-se, com todas aquelas encenações balofas, tentando – e por vezes conseguindo – convencer-nos do contrário daquilo que fizeram. Para não ficar atrás, registo também esse marco, embora sem a intenção de fazer um balanço. Apenas registar duas notas:
- Primeira: ao contrário do poeta não tenho ainda qualquer razão para imprecar contra este lado da fronteira: ainda nenhum toco de carrasco se me atravessou na frente, pelo que, a menos que me magoe, continuarei;
- Segunda: parafraseando uma modesta cibernauta que encontrei na rede, por intermédio dos dois ou três meus eventuais leitores, visitei uma quantidade enorme de blogs. Não pude deixar de pensar em Baudolino quando dizia ao seu amigo poeta: "- Estás a ver […], nem sempre os grandes poetas são diarreicos, às vezes são obstipados...". Alguns, eram do género diarreico, tal a quantidade de post’s de que faziam alarde. Outros, pelo contrário, eram do género obstipado. Sabe Deus as dificuldades por que terão passado para obrar cada novo post. O meu, reconheço, é mais do género obstipado. Por vezes por falta de tempo; por vezes por falta de motivação; por vezes por falta de veia; por vezes por falta de coragem; por vezes porque, simplesmente, no pasa nada.

02 julho 2006

CHORA BRASIL!

Que faltou a esta equipa?
Felipão?

VIVA PORTUGAL!

Portugal continua imparável. Após 120 longos minutos de sofrimento mandamos, mais uma vez, os ingleses para casa. Depois do que lhes aconteceu no Euro'2004, tenho a certeza que, por esta altura, o Ricardo é o inimigo público número um de toda a nação britânica. Sabe tão bem mandá-los para casa depois de tudo o que a imprensa de Sua Majestade escreveu nos últimos dias sobre a Selecção, sobre Portugal e sobre os portugueses.
Viva Portugal!

26 junho 2006

HAJA CORAÇÃO!

Ontem em Nuremberga o futebol foi maltratado. O principal culpado foi o árbitro que não soube estar à altuta de um jogo importante como aquele, deixando que se transformasse numa verdadeira batalha campal. Os artistas mereciam um verdadeiro juiz e saiu-lhes um aprendiz que mostrou duas dezenas de cartões, tornando, ao que ouvi, este, o jogo mais "indisciplinado" na história dos Mundiais de Futebol. Quanto à batalha, propriamente dita, teve Portugal como vencedor. Maniche marcou um belo golo a meio da primeira parte que nos põe nos quartos de final do mundial.

18 junho 2006

KALASHNIKOV versus GLOCK

A Venezuela pretende construir a primeira fábrica de Kalashnikov no Hemisfério Sul. Embora as autoridades venezuelanas digam que as armas fabricadas não se destinam à exportação, mas sim à defesa da nação contra “o mais poderoso império na história”, não há modo de não deixarmos de pensar nos amigos bolivianos e cubanos a receberem a sua provisão de Kalash’s. Bom, depois disto é a Bolívia construir uma fábrica de órgãos de Estaline e Cuba uma de roquetes do Hamas e temos a revolução em todo o seu esplendor espalhada abaixo do Equador.
Duvido que sejam as pistolas Glock, que o Brasil quer fabricar - mesmo que invisíveis a detectores de metais -, que consigam fazer frente a este arsenal.

PS: Cuba ainda não está no hemisfério Sul mas, se a Península Ibérica, qual Jangada de Pedra, conseguiu separar-se da Europa - quebrando-se pelos Pirinéus - vogando para Noroeste, também a ilha do comandante facilmente poderá navegar para Sul.

17 junho 2006

PARABÉNS RAPAZES!

A primeira batalha está ganha. Parafraseando o grande Fiori Giglioti, recentemente desaparecido, dá vontade de gritar: «um beijo no seu coração!». Quarta-feira lá estaremos para vos ver bater como sempre o fazem. Para ganhar!

15 junho 2006

CONFERÊNCIAS DE IMPRENSA

Não tenho por hábito assistir a conferências de imprensa de jogadores de futebol, mesmo que antes de grandes jogos, mas nestes tempos de abastança lá fui também arrebanhado. De qualquer modo era difícil escapar a todas, tantas elas são e, de qualquer modo, já que não coloquei bandeirinha na janela, pelo menos oiço os rapazes. Hoje, pela hora de almoço, lá me sentei para ouvir a conferência do Figo e do Tiago – melhor fora ter ficado de pé, teria fugido mais facilmente.
Não raras vezes, os jogadores de futebol são acusados de enxamear cada frase que proferem com as mais disparatadas – asneadas, diria um amigo meu – ideias, servindo-se daquele linguajar mais macarrónico que se possa imaginar. Salvo raras excepções, são acusados com razão. Mas hoje não é dos jogadores que queria falar mas dos jornalistas. Foram eles, ou melhor, as perguntas que faziam, que me obrigaram a “fugir”. Aquelas perguntas foram um chorrilho de imbecilidades: “Figo, o que vão encontrar no jogo frente ao Irão?”; “Tiago, quando soube que tinha sido convocado para jogar contra Angola?”; “Figo, acha que o Cristiano está em forma?”; “Tiago, aquilo contra Angola não lhe correu lá muito bem. Acha que vai ser convocado novamente?”, e outras pérolas como estas. Mais valia terem perguntado: “Figo, e então como vão as meninas lá por casa?” ou, “Tiago, gostaria de ter estado lá na sardinhada da sua terra?”.
Quem faz o favor de dizer aos senhores jornalistas que só se faz perguntas se se quer saber alguma coisa? Caso contrário, moita-carrasco!

12 junho 2006

COMEÇAR BEM

Portugal começou bem. Três pontos era o máximo que se pedia aos pupilos de Luís Filipe. Sábado, novamente, lá estaremos torcendo.

31 maio 2006

TRANS-SIBERIANO GV

Ainda a propósito de um post que em tempos aqui deixei, descobri hoje no sítio da TSF um delicioso Sinal de Fernando Alves que gostaria de partilhar com, como dizia uma colega destas lides, os meus um ou dois leitores.
Depois de aceder à página da TSF, clique em Sinais e de seguida em "O Trans-Siberiano" de 29Mai06. Delicie-se

29 maio 2006

À NOSSA!

Finalmente a confirmação daquilo que quase todos já suspeitávamos: a cerveja faz bem!
E quem o diz não é ninguém da Central de Cervejas mas sim um reputado endocrinologista, Director do Departamento de Nutrição do Instituto Pasteur de Lille Jean-Michel Lecerf, que no passado dia 26 de Maio veio ao Porto participar no Simpósio “Nutrição: Que lugar para a cerveja?” no âmbito do V Congresso de Nutrição e Alimentação 2006 organizado pela Associação Portuguesa de Nutricionistas. Jean-Michel Lecerf é uma voz autorizada. Este médico endocrinologista trabalha no Hospital da Universidade de Lille, especializado em distúrbios alimentares, obesidade e diabetes e autor de numerosos artigos, comunicações e livros sobre nutrição.

"QUEIMAR" PETRÓLEO MATA

Alguém disse um dia, a propósito do mais ou menos próximo esgotamento dos combustíveis fósseis, que a humanidade tinha já passado por situações semelhantes e tinha-se saído airosamente, isto é, o homem tinha já conseguido “evoluir” da lenha para o carvão e deste para o petróleo, fazendo-o harmoniosamente, daí se concluindo que o conseguirá fazer agora para a próxima forma de energia – seja ela qual for –, que há-de substituir o petróleo. Tenho uma enorme confiança nas capacidades da humanidade para se adaptar a novas formas de vida, e comungo da opinião que na altura certa saberemos mudar de rumo, mas reconheço que a cada dia que passa, nos tornámos todos um pouquinho mais cépticos. Oxalá a teoria que aqui estou a citar esteja correcta, já que as premissas não são rigorosamente as mesmas, com efeito, até aqui, sempre que se optou por uma nova forma de energia, a anterior não estava, como agora, em perigo de se esgotar.
Hoje comemora-se o Dia Nacional da Energia. Se não houver outra utilidade para este dia, pelo menos que sirva para reflectirmos sobre a energia, pelo menos aquela que é gasta indevidamente. Mas quando digo reflectirmos, estou a referir-me a todos, até à petrolífera GALP. Embora esteja no mercado para ganhar dinheiro, a GALP, deve assumir uma atitude, senão pedagógica, pelo menos não deseducativa. Vem isto a propósito de um anúncio radiofónico da referida empresa que anuncia a oferta de um “cromo” por uma certa quantidade de combustível adquirido. Até aqui tudo bem mas ridículo vem a seguir. No anúncio um diz: “- Eu todos os dias depois do emprego vou a Bragança só para atestar mais vezes”, o outro não se fica: “-Pois eu vou tantas vezes à bomba que até convidei o empregado para uma festa de aniversário”. Enfim, digamos que a GALP anda com falta de ideias…
A Tabaqueira tem que informar os seus clientes que FUMAR MATA, a GALP devia ensinar aos seus que desperdiçar energia hipoteca o futuro de todos!

24 maio 2006

POR RAZÕES PESSOAIS

Galardoado no passado dia 19 de Maio com o Prémio Camões de 2006, Luandino Vieira vem dizer que não o aceita por "razões pessoais". Estou inteiramente de acordo acerca do direito que o assiste em não querer aceitar o prémio, já sobre as razões por que o faz... O prémio Camões não é propriamente o prémio de uma rifa dos Santos Populares, por isso dizer que não aceita "por razões pessoais", convenhamos que parece menosprezar o galardão. Todos já vimos rejeitar prémios mas dizendo de viva voz por que o fazem (Jean Paul Sartre, Marlon Brando, etc.).
Esperemos que Luandino evoque uma razão plausível. É o mínimo que pode fazer. Se não por respeito ao Prémio Camões, pelo menos, por todos os anteriores galardoados.

Galardoados com o Prémio Camões

1989 - Miguel Torga (Portugal)
1990 - João Cabral de Melo Neto (Brasil)
1991 - José Craveirinha (Moçambique)
1992 - Vergílio Ferreira (Portugal)
1993 - Rachel de Queiroz (Brasil)
1994 - Jorge Amado (Brasil)
1995 - José Saramago (Portugal)
1996 - Eduardo Lourenço (Portugal)
1997 - Artur Carlos M. P. Santos, “Pepetela” (Angola)
1998 - António Cândido (Brasil)
1999 - Sophia de Mello Breyner (Portugal)
2000 - Autran Dourado (Brasil)
2001 - Eugénio de Andrade (Portugal)
2002 - Maria Velho da Costa (Portugal)
2003 - Rubem Fonseca (Brasil)
2004 - Agustina Bessa-Luís (Portugal)
2005 - Lygia Fagundes Telles (Brasil)
2006 - José Luandino Vieira (Angola)

A PRIMEIRA FRASE

Alguém disse um dia que a primeira frase de um livro é a mais importante e a mais difícil de escrever. Se bem escrita, essa única frase, revelará ao leitor o "teor" de toda a obra. Talvez haja, em tudo isto, algum exagero, mas por vezes lembro-me deste dito.
Hoje, num supermercado, não muito longe da secção de verduras, casualmente, peguei no livro “onze minutos” de Paulo Coelho. Abri-o e, como todos fazemos, atirei-me à primeira frase: «Era uma vez uma prostituta chamada Maria. […] Como todas as prostitutas, tinha nascido virgem e inocente...».
Com cuidado, como todos fazemos, fechei-o e voltei a arrumá-lo na prateleira.
Há tempos que ando a prometer a mim próprio ler um livro do Paulo Coelho. Um dia voltarei a tentar…

20 maio 2006

NÃO AS DEFRAUDEM!


Para incentivarem a Selecção, 18 788 mulheres do meu país reuniram-se hoje no Jamor e construíram a mais bela bandeira do mundo.
Não as defraudem!

A AZIA DE MÁRIO SOARES

Em tempos, um conhecido árbitro de futebol, hoje romancista e comentador, protagonizou um episódio que ficou famoso. Na arbitragem de um jogo cometeu um erro que terá prejudicado grandemente uma das equipas. Uns dias depois quando um jornalista lhe pediu para comentar o referido lance, embora não o tivesse afirmado literalmente, reconheceu o erro com uma frase que ainda hoje a tribo do futebol usa e, muitas vezes, abusa. Disse ele: “ao ver as imagens da jogada fiquei cá com uma azia!...”
Vem isto a propósito de Mário Soares. Ontem saiu da lura para ir ao Hotel Pestana Palace receber o prémio Dário de Moreira Castro Alves com que o Clube dos Empresários do Brasil homenageia uma personalidade portuguesa ou brasileira que se destaque no esforço em prol da integração dos imigrantes brasileiros em Portugal. A televisão mostrou e todo o país viu que, após o desastre de 22 de Janeiro que deixou Mário Soares com azia, este, continua a padecer desse azedume. Ao contrário do árbitro, quando o jornalista lhe pediu para comentar o resultado de 22 de Janeiro, disse que perder é normal recusando-se a reconhecer ter ficado com azia.
Esperemos que Mário Soares, homem dado às letras, não se lembre de nos obsequiar – como agora parece estar na moda – com um livro onde explique a derrota e ataque os responsáveis.