Há uns tempos atrás, uma organização de defesa do consumidor, penso que americana, fez um estudo comparativo acerca das águas engarrafadas, à venda no país. A bitola seria a insuspeita Perrier – e quem mais poderia alcandorar-se a esse título? Tomando por padrão, a inatingível qualidade da famosa água gaulesa, nenhuma outra poderia lá chegar. Venceria aquela que mais próximo conseguisse ficar. O estudo foi-se desenvolvendo e, na hora de ordenar os concorrentes, o impensável aconteceu. A água Perrier, a de inatingível pureza, a que estava no estudo apenas para servir de referência, aquela que era vendida, a preços proibitivos, em garrafinhas bojudas de vidro com 20 centilitros de capacidade, tinha ficado a meio da tabela, vergonhosamente ultrapassada por águas vendidas em garrafões de plástico. A culpa, disse-se na altura, foi de uma arreliadora fuga de hidrocarbonetos no asséptico sistema de lavagem das garrafas, que terá conferido à bebida um agradável travo a petróleo.Foi um rude golpe na imagem – e nas finanças, claro – da Perrier. Embora nenhum cliente se tenha queixado – razão pela qual somos levados a concluir que o travo a petróleo seria agradável –, a empresa pediu desculpas públicas pelo sucedido e retirou do mercado todos os milhões de garrafas com resquícios de hidrocarbonetos, que lá se encontravam. Levou anos a recuperar a imagem mas hoje este arreliador incidente está esquecido e a Perrier voltaria a ser seleccionada para termo de comparação num estudo sobre águas engarrafadas.
Ontem, ao ver os esgares aflitos do Presidente Sarkozy depois de ter bebido água, lembrei-me deste episódio. Será que voltaram a lavar as garrafas com petróleo?


















