
05 outubro 2008
01 outubro 2008
É O FIM!
Profeta é, por definição, aquele que profetiza, que prevê acontecimentos futuros por dedução ou intuição. O ministro Manuel Pinho ainda lá não chegou. Até agora ainda só consegue identificar com precisão o momento em que as coisas acontecem. Sejam boas, como quando, vai para dois anos, anunciou o terminus da crise, sejam das mais penosas como a que nos deu a conhecer há dois dias: “O mundo de prosperidade acabou!”.O ministro Manuel Pinho ainda lá não chegou. Mas estou profundamente convencido que lá chegará. Ao contrário de poeta, profeta faz-se, não nasce. E o ministro Pinho trilha, seguramente, o bom caminho.
28 setembro 2008
PODIAM SER AS MINHAS
Um dia, acompanhei um fotojornalista até Arja, onde se removiam os escombros de uma escola feminina. Quando uma retro-escavadora pôs a descoberto muitos corpos de meninas, ele olhou-me emocionado: «Daqui a meia hora, esta foto estaria a circular o mundo. Mas tenho duas filhas desta idade...» E não fotografou. 27 setembro 2008
"...O TEMPO ESTÁ PERTO"
Ninguém tem consciência de nada […] O mais incrível para mim é esta indiferença geral que está instalada. […] Quando confrontado com uma grande mudança, o público tende a ficar muito mais alarmado do que os peritos. […] Mas aqui é ao contrário. O público parece muito descontraído com a questão do aquecimento global, enquanto os peritos estão em pânico. […] Quando os cientistas do painel da ONU vieram a público e confirmaram que, nas próximas décadas, as tempestades vão ficar mais violentas, o deserto irá alastrar para mais de metade do planeta e o nível do mar vai subir uma dezena de metros ou mais, […] só faltou ver as pessoas bocejarem de tédio. […] E os políticos, que deviam ter juízo na cabeça, estão na mesma […] com aquela filosofia do deixa andar e o raciocínio de que os que vêm a seguir que desliguem a luz e paguem a conta.Comecemos, então, pelo princípio. Pela capa, mais propriamente. Logo abaixo do título, em letrinhas pequeninas, como que envergonhadas, pode ler-se “Romance”. Mas, como diria um figurão da nossa praça que por estes dias lançará a sua última obra, este não me parece um romance. Não sendo também um conto é, isso sim, um longo texto panfletário que, com dados irrefutáveis, anuncia o apocalipse. Umas alusões piegas à mãe do Tomás Noronha, o Gordiano Descobridor do José Rodrigues dos Santos, uma velhinha que só à força entrou no lar, literalmente, ao empurrão, algumas cenas escaldantes com a Russa no Transiberiano e, de romance, ficamos por aqui.
Não se deduza, no entanto, que este é um daqueles livros que devemos ter o mais afastado possível da estante lá de casa, não. Tal como aqueloutro disco, também este livro devia ser lido por todos os garotos da escola. Talvez tomassem consciência do que aí virá e conseguissem explicar aos pais.
15 setembro 2008
DIA DO RIDÍCULO
Nestes dias de brasa em que molhadas de ministros se desdobram pelas escolas do país a dizer barbaridades e a distribuir cheques de 500 euros, lembrei-me de um recente estudo sobre as profissões que inspiravam mais confiança aos portugueses.As conclusões não podiam ser mais elucidativas: os professores, a par dos bombeiros e dos carteiros, constituem uma das classes profissionais em quem os portugueses mais confiam. Pormenor elucidativo, os políticos, os publicitários, os empresários e os banqueiros obtiveram as notas mais negativas entre as 20 profissões consideradas pelo estudo.
Depois deste espectáculo deprimente só me ocorre dizer: continuam a tentar desacreditar o trabalho dos professores mas, parafraseando uma desassossegada do lado de lá da fronteira, “Não conseguirão!”
A propósito, quem é aquele senhor ao lado do primeiro-ministro que distribui beijos e diplomas às crianças, fala com uma vozinha de cana rachada e diz, com ar afectado, imbecilidades que ninguém entende? Alguém sabe?
15 agosto 2008
ADEUS ATÉ AO MEU REGRESSO
Nos tempos da guerra colonial, chegados que éramos ao Natal, lá tínhamos a monopolista RTP exibindo durante a quadra os filmezinhos que previamente tinha gravado no teatro de operações. Tudo se passava mais ou menos assim: no meio da mata, uma câmara fixa, um arremedo de jornalista empunhado um microfone e uma fila enorme de militares. Iniciada a coisa, o primeiro da fila avançava, dizia o que tinha a dizer – normalmente: “para os meus pais, irmãos, madrinha de guerra e restante família, desejo um feliz natal e um ano novo cheio de propriedades. Eu estou bem. Adeus até ao meu regresso” – e saía em passo de corrida para dar o lugar ao seguinte que, com uma ou outra nuance, diria o mesmo. Lembrei-me disto, a primeira vez que vi aquelas fotos ridículas que a SIC insiste em mostrar-nos no fim de cada Jornal da noite. Agora que não temos guerra e as reportagens da quadra natalícia são feitas nos Centros Comerciais, a dita estação teve a infeliz ideia de pedir aos espectadores que mandassem fotografias das suas férias de verão para serem exibidas em horário nobre. Além da imbecilidade da ideia – quem teria sido o iluminado? -, a ver pela qualidade das obras, não deve haver qualquer trabalho prévio de selecção, isto é, tudo o que chega vai para o ar. E então é ver toda a sorte de figuras grotescas que vamos fazendo pelas sete partidas do imaginário da nossa classe média, das Caraíbas ao Pacífico Sul. A Alta Autoridade para a Comunicação Social devia admoestar os autores.
22 junho 2008
ENCONTRO DE LEGIONÁRIOS
Ontem, ao almoço, enquanto apreciava os comensais reunidos à volta da mesa, lembrei-me dos legionários da American Legion que no longínquo ano de 1976 se reuniram na sala de Congressos de um hotel de Filadélfia para, entre outras coisas, falar das proezas do passado.Tal como os legionários, também o curso de Engenharia Mecânica de 1983 do ISEP se reúne, quase religiosamente, todos os anos. Contam-se histórias de ontem e de hoje, pergunta-se pelos filhos e pelas mulheres – o curso de 83 foi, exclusivamente, masculino –, fala-se do trabalho e dos achaques que, fatalmente, começam a bater à porta, inflacionam-se as proezas e apoucam-se os desaires. Entretanto, desanca-se, a meias, no governo e na oposição.
Ontem foi dia de comemorar os 25 anos do curso. O Pires achou que era uma data demasiado importante para passar em claro e toca a organizar o convívio. Mais uma vez, à roda da mesa, passamos em revista o último ano e no fim, quando do leitão não restavam mais do que uns ossinhos limpos, despedimo-nos. No próximo ano, voltaremos a encontrar-nos e, prerrogativa da amizade que nos une, continuaremos a nossa conversa como se tivesse sido interrompida, apenas, no dia anterior.
Ontem, ao almoço, enquanto apreciava os comensais reunidos à volta da mesa lembrei-me dos legionários da American Legion que em 1976 se reuniram em Filadélfia. Pelo calor que passamos ao almoço, concluí que o ar condicionado não tinha sido ligado. Ainda bem que assim foi! Aumentou a probabilidade de nos reunirmos daqui a 25 anos para comemorar o cinquentenário o que, diga-se em abono da verdade, todos estão apostados em fazer.
À amizade que nos une, levanto a minha taça. Acompanhem-me!
14 junho 2008
O FANTASMA DE MOURINHO
Uns dias antes do início do Euro’2008, a SIC decidiu “presentear-nos” com reportagens sobre o que cada um dos elementos da rapaziada que nos representaria na Suiça e, eventualmente, na Áustria, é, na intimidade, ou, no aconchego do lar, digamos. Talvez por falta de assunto, as reportagens revelaram-se, de um modo geral, pobrezinhas. Giravam sempre pelo trinómio: casas; carros; calinadas, – este pessoal da bola não deixa os créditos por mãos alheias: é pontapé na bola e na gramática. Por vezes, no meio de toda aquela mediocridade, lá vinha um pormenor um pouquinho mais interessante como aquele das flores para a senhora Scolari. Luís Felipe, ao que me consta, mora ali para os lados de Sintra. Um dia, durante as suas lides domésticas, parou na frutaria. Depois de receber pelos tomates e pelas cebolas, a dona da frutaria entregou um ramo de flores ao técnico: - são para oferecer à sua senhora! – disse. O sargentão ficou visivelmente agradado com o gesto, agradeceu, e, meio a brincar, foi dizendo que diria à esposa que tinha sido ele a comprá-las.Vem este episódio a propósito das últimas notícias que dizem que Luís Felipe Scolari vai, já no início de Julho, para o Chelsea. Faz mal! Faz mal por duas razões: primeiro porque sobre aquele clube continua – e continuará por muitos anos, espero – a pairar o fantasma de Mourinho (aquela colectividade está no bom caminho para se tornar um cemitério de treinadores) e em segundo lugar porque no chique bairro de Chelsea, por certo, não encontrará ninguém que lhe ofereça flores para levar à esposa.
10 maio 2008
A FILHA DE RASPUTINE
- Dizem que o seu pai foi primeiro envenenado, depois alvejado a tiro, depois apunhalado. Mas que ainda vivia e, desesperados por matá-lo, lançaram-no por um buraco no gelo e…[…]
- Não consegue melhor do que acreditar nas histórias dos inimigos de um homem?
Robert Alexander, A Filha de Rasputine
Grigori Rasputine é, e sempre o será, uma personagem dúbia da história Russa. Introduzido na corte do último czar, Nicolau II – … na verdade não faço ideia de como Rasputine foi apresentado à antiga família imperial –, este homem disporá de um poder imenso na condução dos destinos da nação Russa.
Desde novo este “monge louco” e analfabeto, originário dos confins da Sibéria, mostrou possuir sobrenaturais dotes de cura: “o cavalo com a perna aleijada – a primeira criatura que ele tinha curada –, [a velhota], em tempos dobrada com a artrite e agora a andar direita […], o rapaz atropelado pela carruagem, agora a viver feliz e com boa saúde. E também Madame Virubova, que sobreviveu ao acidente ferroviário quando os médicos já a davam como perdida. O Papá tinha curado centenas, se não milhares.
Os que têm o dom da cura, dizia [a minha própria mãe], sempre existiram ao longo da nossa vasta nação, homens e mulheres que conseguiram colocar a natureza sob o seu controlo. […] Tal como Cristo, eram pessoas especiais que podiam fazer os cegos verem e os estropiados andarem. Foi só recentemente que os pensamentos modernos – pensamentos modernos ocidentais, acrescentava a minha mãe com grande desdém – rasgaram o tecido das nossas antigas crenças russas, lançando dúvidas e perguntas por todo o lado.
Segundo ele, os seus poderes provinham das grandes quantidades de peixe que consumia. “O peixe é parte de um caminho, um caminho iluminado pelos apóstolos, que nos mostraram que comendo peixe os seus corpos nunca enegreciam. […] os apóstolos comiam tanto peixe, de manhã, à tarde e à noite, que a luz começou a sair dos seus corpos”. “O papá gostava mais de bacalhau[1] do que qualquer outro peixe e comíamo-lo não uma vez, não duas, mas em todos e em cada um dos dias”.
O livro de Robert Alexander retrata a alucinante última semana da vida de Rasputine contada pela sua filha mais velha, Maria, falecida em 1977 com 78 anos, na Califórnia, depois de passar fora do seu país os últimos 58 anos de vida.
[1] Estará aqui a explicação para a nossa estóica paciência para aturar todos os desgraçados que nos atormentam: o anafado consumo de bacalhau. Estará, com certeza, a deixar-nos a todos com uma aura de santidade. Se olharmos com atenção veremos o halo de luz em torno das nossas cabeças.
25 abril 2008
13 abril 2008
EUROPA: À ESPERA DE VISIONÁRIOS II
Ontem, em Idanha-a-Nova, por alturas da sessão de encerramento do 6.º Seminário Luso-Espanhol de Jornalistas, Mário Soares falou da Europa. Falou sobre os novos desafios que a União terá de enfrentar, sobre o Tratado de Lisboa – um longuíssimo e difícil tratado “à alemã” – e, em especial, sobre o impasse que, neste momento, a Europa vive. Ao ouvir hoje as palavras de Soares, não podemos deixar de nos congratular pelo facto de verificar-mos que anda a consultar o blogEVENTUAL. Mário Soares fez notar que faltam à Europa líderes com “peso” suficiente para resolver as dificuldades que se nos vão colocando.
05 abril 2008
I LOVE THIS COUNTRY
Por cá, por este imenso Entroncamento, continuam a acontecer coisas extraordinárias. Ontem duas notícias prenderam a minha atenção.Primeira: Valter Lemos, questionado por jornalistas, à margem IX Fórum da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, afirmou que «há uma campanha orquestrada contra a escola pública». Quando lhe foi perguntado quem estaria por detrás dessa campanha, lacónico como convém, respondeu: «Eu só vejo as vossas notícias, é isso que eu vejo, vocês é que saberão[1]».
Reparo agora que, além da tsf, parece que mais ninguém deu relevo às palavras do secretário. Será que começam a não o levar a sério?
Segunda: Arredores de Lisboa. Num estabelecimento comercial com mini-mercado e café contíguos, o proprietário, no café, ouve um ruído estranho no mini-mercado que, àquela hora, se encontrava já fechado. Pé ante pé, caminha para a fonte de ruído e, qual não é o seu espanto, apanhou o ladrão com a mão na caixa registadora. Manietou-o e chamou a polícia que o levou preso. O insólito da história viria uns dias depois em forma de intimação do tribunal. O assaltante processou o assaltado por ofensas corporais.
Por hoje chega. Estas coisas são extraordinárias mas exigem muito da gente. Vou-me entreter com algo mais “leve”. Vou ver se encontro o novo livro da Marta Crowford. Pela amostra promete.
[1] Espero que os “patifes” dos jornalistas deitem cá para fora tudo o que sabem.
01 abril 2008
SAIU-ME A TALUDA!

Hoje, quando for para as aulas, irei, ainda, com mais vontade. Se os alunos me perguntarem as razões da minha súbita alegria, dir-lhes-ei que me saiu o euro-milhões.
31 março 2008
29 março 2008
QUEM FICA PARA FECHAR A PORTA?
Desconheço se a ministra da Educação lê jornais. Talvez, por absoluta impossibilidade, o não o faça. Na sua vidinha atarefada não lhe sobrará tempo para essas minudências. Deve ter uma súcia de assessores que lhe peneiram as notícias e, todas as manhãs, como em tempos faziam àqueleoutro, lhe entregam o seu diário, expurgado de desastres. Desgraçadamente, a malha da joeira é fina em demasia e, além de todo o farelo, retém, também, muita da farinha.Pelo crivo dos yes-men não passou, com toda a certeza, a notícia “Mais professores querem trocar a sala de aula pela reforma antecipada”, inserta no Público de ontem. Se tivesse passado, a senhora ministra ficaria a saber que:
Ana Maria Brito Jorge, professora de Matemática com 58 anos de idade, vai-se embora porque lhe “falta motivação para enfrentar mais um ciclo que, até pode acabar bem, mas que está a ser muito mal gerido”. Ela, que durante 18 anos foi co-autora de manuais escolares da editora Areal, e hoje é professora titular, até se podia acomodar e ver passar as coisas mas isso era se aceitasse as novas regras “e tivesse estômago para calar a discordância”, o que não pode fazer porque “esta avaliação é completamente desfocada e desajustada da realidade das escolas. Tem uma tal sofisticação burocrática que a torna completamente inexequível”. Chegou a uma altura em que sente escaparem-se-lhe as forças para enfrentar um “atípico e nebuloso ciclo”;
Maria Augusta Jorge Mendes, de 59 anos, é professora de Físico-Química. Esta professora, que foi um dos sete membros nomeados pelo governo para a comissão eleitoral do Conselho das Escolas, diz que reconhece à ministra, “boas intenções” e, até, “vontade de dialogar”, no entanto lá vai dizendo que “boas intenções não chegam e a tendência é para que o ambiente das escolas se degrade ainda mais”. Sente-se “cansada” e “desencantada”. Se num dia fazia parte do “unido” e ”solidário” corpo docente da prestigiada Escola Secundária Infanta D. Maria, no dia seguinte “passou a ser mais um entre os malandros dos professores que nem trabalham nem querem trabalhar”. Por tudo isto, apesar de sair penalizada com nove por cento na sua pensão, apresta-se para deixar o ensino;
Isabel Gaspar Lopes, 61 anos de idade e 37 de profissão, professora de Português na Secundária de D. Duarte, em Coimbra, ainda que com uma penalização de 4,5 por cento na sua pensão, bateu com a porta em Dezembro. Saiu, “a tempo de ter algumas saudades”, mas, “a degradação do ambiente na escola era tal que mais um pouco e já não as teria”;
Carlos Afonso, 57 anos, professor de História, requisitado pela Direcção Regional de Educação do Algarve, na iminência de voltar à escola, sente-se deslocado e abandona a profissão, ainda que isso lhe custe uma penalização de 22,5 por cento na sua reforma. “Já não tenho idade para aguentar este barco”, diz;
Lurdes Brito, 56 anos, os últimos 34 a leccionar Português e Francês, mesmo que com uma penalização de 22,5 por cento, também conta os dias para se vir embora. “O que acontece é que perdi a esperança”, diz. A carga burocrática que assoberba hoje em dia os professores está a deixá-los sem tempo para preparar as aulas. “Todos os papéis que é preciso preencher sem que isso contribua para a qualidade do ensino…”;
José Campinho, 60 anos, professor de Latim e Português na Secundária de Barcelos, tem os papéis preenchidos. No dia 22 de Abril, quando fizer 60 anos e meio, avança com o pedido de aposentação. Ainda que esse passo lhe leve 4,5 por cento da reforma, vai-se embora porque, diz, “ninguém consegue ser bom professor se não estiver motivado”, não se coibindo de afirmar que “o Ministério da Educação não deixa que os professores sejam exigentes e cria mecanismos sub-reptícios a pensar no sucesso estatístico”.
Se a notícia chegasse aos olhos ou aos ouvidos da ministra, diria, como sempre o diz, aliás, que são casos pontuais sem qualquer significado. Mas quem, como ela, se move com enorme desenvoltura pelos meandros das estatísticas saberá que esta é uma amostra significativa do desencanto que vai tomando conta do corpo docente das nossas escolas. Desgraçadamente, aqueles que, desiludidos, saem quando tinham ainda muito para dar à educação, são, porventura, os melhores dentre os melhores. Quem prefere perder uma parte considerável das suas reformas e sair são aqueles que não arranjam coragem para ficar a assistir ao esboroar da obra que durante décadas, dedicadamente, ajudaram a construir.
22 março 2008
21 março 2008
EDUCAÇÃO HOJE
Sinal dos tempos, ontem, as televisões, abriram os noticiários do horário nobre com um filme de telemóvel. Pelo décor apercebemo-nos que tudo se passava numa sala de aula de uma qualquer escola do país. A filmagem, feita por um dos alunos da turma, mostrava uma encolerizada aluna do 9.º ano gritando para a professora e arrastando-a pela sala, enquanto esta tentava chegar à porta para, naturalmente, pedir ajuda. As imagens eram degradantes, mas o que mais me horrorizou foi não ver aparecerem os restantes alunos da turma para porem cobro àquele espectáculo aviltante, antes proferindo frases de regozijo e aprovação pelo que se passava.15 março 2008
UMA CRÓNICA DE MERDA!
Há tempos, numa das minhas habituais rondas pelos blogs “amigos” descobri um comentário que um energúmeno achou por bem deixar em vários deles. Dizia mais ou menos isto: “Blog de merda, este. Quem não sabe dizer mais nada, põe fotografias”. Se bem que o comentário fosse injusto para muito dos destinatários, confesso que me deu uma enorme vontade de rir ao ler tal coisa. Penso que o intuito do endemoninhado era chocar, o que, em parte, terá conseguido. Quem visitasse o seu poiso podia ver toda a sorte de impropérios com que os ofendidos acharam por bem obsequiá-lo.Lembrei-me deste episódio quando um amigo meu me enviou um artigo de opinião com que Emídio Rangel “valorizou” as páginas do novel jornal Correio da Manhã: “Hooligans em Lisboa”.
Comecemos pelo princípio. Parafraseando o arreliador dos blogs: “Crónica de merda esta. Por estes dias quem não tem mais nada para dizer escreve sobre os professores”. Depois, analisando-a em mais pormenor, descobre-se um chorrilho de imbecilidades. Vejamos algumas: Emídio Rangel, não poupa elogios aos seus professores que “não tinham nada que ver com esta gente” a quem agradece por tudo o que lhe ensinaram. Não duvido que assim seja, só que talvez o aluno não tenha aprendido o que lhe era ensinado. Os seus professores não teriam, certamente aprovado os seus métodos, quando, utilizando os melhores modos de tasca, se refere a “um tal Mário Sequeira”, fazendo lembrar aqueloutro que se referia a um tal Pinto de Sousa. Linguagem de quem pouco aprendeu nos bancos da escola.
Rangel coloca no mesmo saco todos os “professores travestidos de operários da Lisnave”. Continua a não aplicar os conhecimentos que os seus professores lhe transmitiram. Se o fizesse nunca poderia dizer que os dois terços dos professores que desceram a Lisboa eram “pseudoprofessores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações e transformaram-se em soldados do Partido Comunista para todo o serviço”. De seguida mete os pés pelas mãos e diz que “felizmente ainda há milhares de professores, talvez a maioria, que exercem com toda a dignidade a sua profissão”. Repa-se: os dois terços que “vestem de preto e gritam desalmadamente” são todos uns “madraceirões” e foram urrar para Lisboa, o terço que ficou, talvez a maioria, afinal são dos bons. Esperamos todos que o seu venerável professor de matemática não tenha lido o artigo. Envergonhar-se-ia.
Na parábola dos cegos, quando um deles apalpou a tromba ao elefante, jurou a pés juntos que um elefante é uma enorme serpente que se enrola. Emídio Rangel, que “deu aulas”, não sabe que dar aulas não é, longe disso, o mesmo que ser professor. Rangel não o sabe e talvez não o venha já a aprender – demonstrou ser um fraco aluno ainda que com bons professores –, por isso, tal e qual como os cegos, continuará a bater-se pela defesa da sua visão parcial do problema. Entretanto, os nossos alunos continuarão a experimentar soluções de mentes providenciais que, um dia, “deram aulas”
Outra evidência que esta é uma verdadeira crónica de merda é o facto de Emídio Rangel repetir, sem que ao menos tenha introduzido um arabesco de sua lavra, o discurso que a Ministra da Educação, “uma ministra sábia, tranquila, dialogante, que fala com uma clareza tal que só os inúmeros boatos, a manipulação e a leitura distorcida do que propõe podem beliscar o que de boa fé pretende para Portugal”, se tem esfalfado a fazer passar: “introduziu um sistema de avaliação de professores, chamou os pais a intervir, fechou as escolas sem alunos, prolongou os horários e criou as aulas de substituição, resolveu os problemas de colocação de professores, introduziu o Inglês, levou a informática aos lugares mais recônditos do País”. E continua dizendo que estas e outras medidas já deram frutos. Outra intrujice. Se tivesse ouvido os seus saudosos professores saberia que em educação não se pode dizer, passado que foi apenas um ano, que as reformas já dão frutos.
Enfim, por todo o texto perpassam duas coisas: a primeira, uma estranha animosidade para com os professores e a segunda uma enorme ignorância do que é hoje a educação.
Quando chegar a ministro, se algum lambe-botas escrever algo deste género, darei instruções aos serviços para que jamais seja admitido no ministério.
07 março 2008
PARA TODAS... MENOS PARA UMA!

Neste dia oito de Março, partilho com todas as mulheres esse texto de que tanto gostei… com todas não, com todas menos uma! Só não digo quem porque teria logo a polícia à perna a fazer-me perguntas a que, talvez, nem soubesse responder.
CUIDEM-NO! CUIDEM-SE! AMEM-SE!
Não importa quanto pesa.
É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher.
Saber o seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.
Não temos a menor ideia de qual seja o seu manequim.
A nossa avaliação é visual. Isso quer dizer: se tem forma de guitarra... está bem!
Não nos importa quanto medem em centímetros – é uma questão de proporções, não de medidas.
As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheiinhas, femininas....
Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fracção de segundo.
As muito magrinhas que desfilam nas passereles seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays, odeiam as mulheres, e competem com elas .
As suas modas são rectas e sem formas. Agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.
Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura.
A elegância e o bom trato são equivalentes a mil viagras.
A maquilhagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem!
Para andar de cara lavada, basta a nossa.
Os cabelos, quanto mais tratados, melhor.
As saias foram inventadas para mostrar as suas magníficas pernas.
Por que razão as cobrem com calças longas? Para que as confundam connosco?
Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras, e pronto!
Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão, e eu reitero: nós gostamos assim!
Ocultar essas formas é como ter o melhor sofá embalado no sótão.
É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréctica, bulímica e nervosa logo procura uma amante cheiinha, simpática, tranquila e cheia de saúde.
Entendam de uma vez! Tratem de agradar a nós, e não a vocês, porque nunca terão uma referência objectiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher.
Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é linda.
As jovens são lindas... mas as de 30 para cima, são verdadeiros pratos fortes.
Por Karina Mazzocco, Eva Longaria, Angelina Jolie ou Demi Moore - ou Jessica Alba, digo eu -, somos capazes de atravessar o Atlântico a nado.
O corpo muda... cresce.
Não podem pensar, sem ficarem psicóticas, que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18.
Entretanto, uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento, ou está-se autodestruindo.
Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir a sua vida com equilíbrio e sabem controlar a sua natural tendência à culpa.
Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade – a dieta virá em Maio, não antes –; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade - não se sabota e não sofre -; quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.
Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tiram a beleza.
São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não estiveram anos em formol, nem em SPA’s. Viveram!
O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, mimados e nós, sem querer, enchemo-los de estrias, de esárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.
Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!
A beleza é tudo isto. Tudo junto!
02 março 2008
COM A MINHA MELHOR VOZ DE BARÍTONO
Ao arrepio da opinião dos entendidos, são as óperas de cariz popular que eu aprecio na vasta obra de Guiseppe Verdi. Confesso que os meus rudes ouvidos apreciam muito mais A Traviata que as eleitas dos eruditos. Pela obra perpassa uma bela história de amor. Fala de amizade, de dignidade, de perdão, de arrependimento, enfim, de tudo o que os meus incultos ouvidos gostam de ouvir. A história conta-se em duas penadas. Violeta, uma mulher mundana, vive faustosamente a expensas de um barão. Um dia, durante uma festa em sua casa, Alfredo Germont é-lhe apresentado por um amigo comum. Num momento a sós, Alfredo confessa-lhe o grande amor que sente por ela. Violeta promete-lhe, tão só, a sua amizade mas, uma vez a sós, é fustigada pela imagem do jovem galanteador e pelas suas palavras que não consegue esquecer. Pouco depois os amantes iniciarão uma vida em comum que escandalizará a família de Alfredo. O pai fará tudo para afastar o filho daquela relação adúltera e, por fim, consegui-lo-á. Um dia, ao chegar a casa, Alfredo encontra uma carta da sua amada. Abre-a e basta ler a primeira frase para saber que Violeta o abandonou. A sua tristeza é pungente. Entretanto, Giorgio Germont, pai de Alfredo, entra, e ao ver o seu filho naquela melancolia, tenta fazê-lo esquecer-se daquele amor que tantas contrariedades tinha trazido à família. Fala-lhe, então, das belezas da sua Provença natal, tentando que deste modo o filho esqueça o seu amor contrariado e regresse ao lar. A beleza da melodia aliada à mágoa do filho e ao desespero do pai fazem de “Di Provenza il mar, il suol” a minha ária preferida d’A Traviata. Na última Segunda-feira, depois das enormidades do “Prós e Contras”, tive alguma dificuldade em adormecer. Cheguei os phones aos ouvidos e liguei o leitor de mp3. Tenho sempre esta ópera à mão. Contra o que é habitual, desta vez, nem com o desespero de Giorgio no fim do 2.º acto consegui adormecer.Ao que me dizem a ministra da educação terá alguma ligação ao Alto-Minho. Então – dei por mim a pensar –, e se alguém lhe cantasse as belezas da sua terra? O rio Minho correndo entre margens verdejantes, as searas de centeio ondulando aos ventos da Primavera, os vinhedos escarlates das vertentes viradas a Sul, os picos alvos da serra Amarela, os carvalhos da floresta primordial conservados no parque natural da Peneda-Gerês... será que esquecia os dissabores da grande cidade e fugia deste povo ignorante e mal agradecido que a não merece, refugiando-se lá para as terras da raia? Ah, se assim fosse! Até eu punha a minha melhor voz de barítono e cantava para ela.


