23 maio 2009

A CUIDAR QUE AS FLORES O APLAUDIAM

Ontem – se calhar sem avisarem como já se vem tornando um hábito, vá lá saber-se porquê –, o primeiro-ministro, a ministra da educação e o ministro das finanças apareceram na escola António Arroio para, ao que consta, aporem as suas assinaturas num pindérico contrato de pedreiro para umas obras no edifício. O acto não tinha dignidade suficiente para merecer a presença de mais do que um secretário de estado mas o governo decidiu obsequiá-lo com a presença de três ministros da nação. Não sei se por falta de trabalho nos gabinetes ministeriais se pensando já nas bonitas imagens e frases sonantes que as televisões mostrariam em horário nobre, os três lá foram. A coisa até que nem começou mal. Cada um lá ia dizendo uma piada de circunstância e tudo se encaminhava para que, finalmente, os “comunistas” dessem uma manhã de descanso ao primeiro ministro mais à sua ministra da educação – deixamos propositadamente o ministro das finanças de fora porque a esse já ninguém o leva a sério – mas, quando os estudantes se aperceberam da presença de tal delegação na sua escola foi o bom e o bonito. Foi tamanha a contestação que a luzente comitiva teve de acabar a espectáculo de supetão e ser guiada por caminhos esconsos rumo a uma saída alternativa que os pusesse a salvo do coro de vaias que, com certeza, faria as delícias de alguns canais de televisão à hora do jantar.
Esta mania que, em especial o primeiro-ministro e a ministra da educação, têm de se raspar sub-repticiamente vai-se tornando um hábito pelo que episódios destes, de tão banalizados, começam a não prender a nossa atenção, mas ontem, quando à hora de jantar ouvi dizer que o gabinete do primeiro ministro tinha enviado para as redacções a informação que o Engenheiro Sócrates não tinha saído pela porta do cavalo como estava a ser noticiado, tive um sobressalto. De repente, lembrei-me do “professor Salazar […] em passinhos delicados de freira, ondulando os dedos transparentes para os vasos a cuidar que as flores o aplaudiam[1]. Será que o homem, distribuía aquele ridículo sorrisinho de plástico aos estudantes da António Arroio, pensando que o louvavam?


[1] in "O Manual dos Inquisidores", António Lobo Antunes

01 maio 2009

SAUDADES DE MAIO


Não há pachorra! Depois admiram-se quando as sondagens ameaçam com dezasseis por cento de tontos que ainda contam ir votar. Com a má fama de que goza a classe política, ainda somos obrigados a levar com gente sem qualquer criatividade a entrar-nos pelas portas adentro sempre que ligamos a televisão. Então admite-se que depois de levar umas pauladas, quando todos estávamos à espera de uma resposta proporcional por parte do ofendido, este apenas diga e repita: “. - Marinha Grande! Marinha Grande!”.
Não sei – e não tenho especial interesse em saber, diga-se – quem escolhe o pessoal para estas coisas mas, seja lá quem for, deveria preocupar-se um pouco mais em arranjar malta mais inventiva. Marinha Grande! Qualquer publicitário de meia tigela sabe que isso já não vende.

25 abril 2009

ABRIL


Nestes dias de raiva em que um primeiro-ministro, quase de uma assentada, processa nove jornalistas porque não gosta do que escrevem;
Nestes dias de cólera em que um mangas-de-alpaca suspende um funcionário porque viu, na anedota que contou, matéria susceptível de melindrar o chefe;
Nestes dias de fúria em que vemos a polícia entrar por uma escola adentro para fazer perguntas “indiscretas” sobre a próxima manifestação;
Nestes dias de ira em que se exonera um director porque não mandou retirar um cartaz onde um seu subordinado tinha escrito uma frase proferida por um ministro e, pasme-se, considerada ofensiva para o mesmo;
Nestes dias de chumbo em que sinto estarmos, ordeiramente, entrando num gigantesco panopticon, trinta e cinco anos depois de Abril, lembrei-me, sabe-se lá porquê, do Chico Buarque:

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

19 abril 2009

NÃO FOI NADA CONNOSCO

Quando, em meados de Novembro do ano passado, ficamos a saber que o ministro Teixeira dos Santos era, para o insuspeito Financial Times, o pior dos ministros das finanças da União Europeia, confesso que fiquei um pouco sentido com o periódico. Que diabo, estes arrogantes destes ingleses sempre a malhar nos mesmos. E, como não tendo ficado contentes com a boa-nova ainda tiveram a desfaçatez de contarem, com todos os pormenores – alguns bem sórdidos, diga-se –, os resultados parcelares do estudo. Assim ficamos a saber, ou melhor, assim todo o mundo ficou a saber, que o Doutor Santos se portou miseravelmente nos três critérios estudados: em dois deles foi o último e no terceiro o antepenúltimo.
Na altura, confesso, até tive um pouco de pena do homem mas ontem, quando ouvi a resposta que deu a um jornalista de um canal de televisão, rendi-me à evidência: pelo menos num dos critérios estudados o Financial Times tem toda a razão. Quando o jornalista lhe perguntou se se revia nas considerações que o Presidente da República fez a propósito de governar para os números e para as estatísticas o bom do homem, candidamente, respondeu que o senhor presidente da república não se estava a referir ao governo.

18 abril 2009

TARDE DEMAIS!


Agora é tarde senhor presidente. Devia ter falado quando todos lhe pedimos que falasse. Rogamo-lo uma e outra vez mas o senhor limitava-se a dizer, e repetir até à náusea, diga-se, que “este não é ainda o tempo do presidente se pronunciar” . Era sim, senhor presidente, aquele é que era o tempo! Pela certa não teríamos chegado aonde chegamos. Dizer agora, quando o caos está instalado, que não se pode governar para as estatísticas e outras patetices do mesmo jaez cria, na meia dúzia de tontos que ainda o ouve, dois sentimentos contraditórios. Metade dos tontos pensará: que pena não se ter lembrado de dizer isto antes e obrigar aqueles figurões a arrepiar caminho. Os restantes, irados, pensarão: melhor estivesse calado! Se isto chegou a este ponto ele tem nisso uma quota-parte importante da responsabilidade. É preciso não ter vergonha para vir agora dizer isto.
Pois é senhor presidente, o senhor foi conivente com a política que nos trouxe até aqui. Confiamos em si, levámo-lo para o palácio cor-de-rosa para que olhasse por nós, mas o senhor defraudou-nos. Deixou que uma equipa governativa, que, diga-se, tinha todas as condições para fazer um bom trabalho, trouxesse uma carga inimaginável de contestação a todos os quadrantes da sociedade portuguesa. Vou-lhe dar apenas dois exemplos de oportunidades perdidas pelo senhor:
Primeiro caso: quando após um ano de governação, e depois da equipa ministerial da educação ter feito o mais vil ataque a tudo o que de bom se ia produzindo nas escolas do país, a ministra vem dizer que, apenas num ano, os resultados escolares dos alunos tinham melhorado trinta por cento, o que disse o senhor a esse respeito? Nada! O senhor é professor, sabe que nenhum país do mundo consegue, no espaço de apenas um ano, melhorar em trinta por cento os resultados escolares dos seus alunos a menos que trapaceie as estatísticas. Devia, alto e bom som, ter ajudado a desmascarar esse embuste, mas, em vez disso, deixou-nos sozinhos a lutar pela verdade e, passado pouco tempo, veio publicamente tecer os mais rasgados elogios à equipa ministerial e ao trabalho que estavam desenvolvendo. Olhando hoje para o descalabro que se vive nas escolas do país sempre gostaria de saber se continua a comungar dessa peregrina opinião do bom trabalho;
Segundo caso: quando na assembleia da república com a habitual pompa o primeiro ministro dava conta dos primorosos resultados de um estudo da OCDE sobre a educação no país que se veio a saber ter sido feita com base em resultados de nove escolas – pasme-se, resultados de apenas nove escolas – e, ainda por cima escolhidas por quem encomendou o estudo que, afinal não foi feito pela OCDE mas sim por uma funcionária dessa organização que nas horas vagas faz uns trabalhos desse género, o que disse o senhor sobre esse caso que cobriu o país de vergonha? Nada!
Apenas dois casos dos inúmeros que foram envenenando a vida dos portugueses ao longo dos últimos quatro anos. O senhor tinha a obrigação de prever o desastre e repará-lo enquanto era tempo. Em vez disso, sabe-se lá porquê, deixou que se cometessem todos os atropelos que se foram cometendo ao longo destes quatro anos de modo que agora é já tarde demais e os tempos que aí vêm serão bem ásperos para muitos de nós.

08 março 2009

MULHERES

Sirvo-me, como muitas vezes o faço, do poeta, para dizer a todas "as minhas mulheres" o quanto as acho bonitas.


a mulher mais bonita do mundo

estás tão bonita hoje.
quando digo que nasceram flores novas na terra do jardim,
quero dizer que estás bonita.
entro na casa, entro no quarto, abro o armário, abro uma gaveta,
abro uma caixa onde está o teu fio de ouro.
entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro,
como se tocasse a pele do teu pescoço.
há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.
estás tão bonita hoje.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
estás dentro de algo que está dentro de todas as coisas,
a minha voz nomeia-te para descrever a beleza.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

04 janeiro 2009

OS LÍRIOS DO ERICO ESTÃO NA LISTA

Tenho para mim que todos aqueles que gostam de livros têm uma lista dos que, por circunstâncias várias, ainda não leram mas não perderam a esperança de vir, um dia, a fazê-lo. A minha é imensa – refiro-me à lista, entenda-se. Foram lá parar pelas mais variadas razões: porque os folheei e gostei do que vi; porque me foram aconselhados por quem pode – sim porque dar conselhos sobre livros não é para quem quer é para quem pode –; porque li sobre eles e fiquei convencido e até, pasme-se, porque “toda a gente lê” – hei-de, se para isso me não faltar a coragem, ler o Ulisses de James Joyce. Do Joyce como familiarmente diz o pessoal mais pretensioso como se o tivesse acompanhado nuns fins de tarde a esvaziar uns copos de Guinness no pub lá da rua. Desconfio bastante deste pessoal mais afectado mas, mesmo assim, não vou riscá-lo da lista. Veremos no que dá. Bom, dizia eu que a minha lista é imensa. Um dia, ainda que longínquo, todos aqueles títulos saltarão para a minha mesa-de-cabeceira e então, só então, poderei saber se valeu a pena a espera. Até lá, para me não amargurar a delonga, vou-me socorrendo da confidência de Miguel Torga. Com a provecta idade de 75 anos – confidenciou-o ao seu Diário nos princípios de 1983 –, Torga, experimentou, pela primeira vez, os prazeres das aventuras de Júlio Verne, o humorista da imagem, como lhe chamou. “Júlio Verne […] que não me povoou de aventuras a infância, obrigada a contentar-se com as histórias da senhora Maria Ambrósia, enriqueceu de franca alegria algumas horas da minha velhice”. Quando sou apanhado em falta, lembro-me do poeta.
"Olhai os lírios do campo" ainda não li. Está na minha lista. Já quase apagado pelo uso mas, estoicamente, resistindo. Está lá, se me não atraiçoa a memória, por três razões: a primeira remete-me para a minha infância e juventude. Tenho por adquirido que, por mais do que uma vez, nos livros de texto de Português li extractos de obras de Veríssimo. Li e gostei. A decisão de, futuramente, o incluir na lista, terá começado a fermentar por essa altura. A segunda razão é, à falta de melhor classificação, do foro estético: diz respeito ao título. Considero o título importantíssimo. Reconheço ter algumas dúvidas que um bom título torne boa uma má obra mas do que não duvido é que um fraco título pode assassinar uma boa obra. "Olhai os lírios do campo" é, sobre qualquer prisma que o observemos, um título notável. A terceira razão, esta mais prosaica, tem a ver com o nome do autor. Nunca me saiu da cabeça que o “mangas-de-alpaca”, na hora de assentar o nome da criança, comeu um u e, ali mesmo, determinou que a criança seria Erico até ao fim dos seus dias.


Este texto, publicado inicialmente em 12 de Dezembro p.p., foi premiado no sorumbático.

31 dezembro 2008

2009: NOVO ANO


Nada como ter o poeta à mão. Dizem aquilo que queremos dizer mas com as palavras certas.
Beijos e abraços para todos que cá vierem e, já agora, um bom ano.


poema completo [aqui]

30 dezembro 2008

NOVAS "COZINHAS"

Na admirável obra “Memórias de Adriano”, Margarite Yourcenar, apresenta-nos um imperador próximo da gente comum, atacado pelas mesmas fraquezas que atormentam a gente anónima. Tendo recebido imensos territórios do seu antecessor Trajano, Adriano, suspende a sanha conquistadora do antepassado e dedica parte da sua vida a solidificar as conquistas recentes.
Adriano é um amante da cultura, discreto e reflexivo. Não muito longe já, do fim da vida, numa carta escrita ao jovem Marco, Adriano confidencia-lhe: "Foi em Roma, durante as longas refeições oficiais, que me aconteceu pensar nas origens relativamente recentes do nosso luxo, nesse povo de cultivadores económicos e soldados frugais, alimentados de alho e cevada, subitamente emporcalhados pela conquista nas cozinhas da Ásia, tragando aquelas comidas complicadas com uma rusticidade de camponeses dominados por fome canina".
Socorro-me desta obra para comentar os negócios escandalosos que nos vão entrando pelas portas adentro, pontualmente, às oito da noite de todo o santo dia. Não necessitamos, sequer, das capacidades meditativas de Adriano para concluir que, tal como os romanos, também nós, muito recentemente ainda, não passávamos de uns cultivadores económicos. Quem não se lembra daquela célebre fotografia do “ganhão”, enquadrado por uma paisagem bucólica, deixando ver as botas cardadas e com a sola já furada? As nossas recentes “conquistas” nas “cozinhas” da União, ao tempo Comunidade, emporcalhou muita gente que não estaria preparada para aquela súbita entrada de “comida”. O resultado é o que já sabemos. Espero, esperamos todos, que todos estes exageros dêem pelo menos para uma reflexão profunda sobre o papel que a todos e a cada um de nós está reservado sob pena de vermos uma matilha de cães esfaimados dizimar todo um rebanho dócil e triste.

Este texto, publicado inicialmente em 4 de Dezembro p.p., foi premiado no sorumbático como comentário ao texto de Alfredo Barroso, Perguntas assassinas.

22 dezembro 2008

A NOITE É FRIA...


Nesta quadra, desejo a todos os leitores do blogEVENTUAL, que considero já meus amigos, um FELIZ NATAL. Não posso, porém, esquecer todos aqueles para quem esta é uma quadra de dor ao invés de ser uma quadra de alegria. Socorro-me do poeta que, nestas circunstâncias, diz as coisas melhor do que digo.


a um pequenito vendedor de jornais [aqui]

20 dezembro 2008

SÓCRATES E AS "MAÇÃS DA TERRA"

Nos últimos trinta anos a educação tem sido entregue, ora a românticos, ora a fracos. Quando se pensava que a pasta tinha encontrado, finalmente, o dono certo, eis que entra em cena uma equipa de aventureiros que, de educação, parece não entenderem muito mais do que aquilo que lhes ficou de umas leituras apressadas. E desastre após desastre, três anos depois, a parte do edifício que ainda continuava de pé, acaba de ruir.
A propósito desta calamidade vem-me à memória uma história que Steve Berry contava n’A Profecia dos Romanov. Pedro o Grande, czar de todas as Rússias, querendo alimentar o seu povo decretou que os camponeses da Geórgia passassem a cultivar batatas. “Maçãs da terra”, como lhes chamava. O tubérculo, recentemente introduzido na Europa, era, ainda, desconhecido na Rússia e o soberano esqueceu-se de dizer aos cultivadores qual a parte da planta que devia ser aproveitada. Quando, depois da colheita, os camponeses tentaram comer a rama, adoeceram. Encolerizados, queimaram toda a sementeira. Foi só quando um provou a raiz queimada da planta que se descobriu onde estava, afinal, o alimento.
Não duvido que José Sócrates quisesse o melhor para a educação do seu país. Não duvido, sequer, da bondade da sua escolha mas, tal como Pedro, quatro séculos antes, também ele se esqueceu de avisar a equipa que escolheu, que, uma boa parte dos professores, quiçá a melhor, embora “escondida” era imprescindível se se quisesse uma boa colheita. Não avisada, nada sensata e pouco perspicaz, a equipa tomou todos os professores por foras-da-lei e toca a mover-lhes uma guerra sem quartel. Covardemente, aliciou os pais e o país contra o inimigo, mas, quando a batalha parecia ganha, eis que começam a surgir brechas nas forças de assalto. Quando percebem as ideias diabólicas dos generais, o melhor das forças, muda-se para o outro lado da barricada. O resto já se sabe.
Desgraçadamente, perdeu-se outra oportunidade de reformar o ensino público e teremos de trabalhar muito para reconstruir tudo o que uma equipa de celerados teimou em destruir.

Este texto, publicado inicialmente em 29 de Novembro p.p., foi premiado no sorumbático como comentário ao texto de António Barreto, Políticas Educativas.

08 dezembro 2008

[5] CRIATIVIDADE


liderança e gestão em 5 lições [5.ª Lição]

Um fazendeiro resolve colher alguns frutos da sua propriedade. Pega num balde vazio e segue para o pomar. No caminho, ao passar por uma lagoa, ouve vozes femininas que provavelmente invadiram as suas terras. Aproxima-se lentamente e descobre várias raparigas nuas banhando-se na lagoa. Quando elas se apercebem da sua presença, nadam até à parte mais profunda da lagoa e gritam:
- Nós não vamos sair daqui enquanto não se for embora.
O fazendeiro responde:
- Não vim aqui para vos espreitar, só vim dar de comer aos jacarés!

Moral da História:
É a criatividade que faz a diferença na hora de atingirmos os nossos objectivos.

[4] MOTIVAÇÃO

liderança e gestão em 5 lições [4.ª Lição]

Em África, todas as manhãs, uma gazela ao acordar, sabe que deve conseguir correr mais do que o leão se se quiser manter viva.
Todas as manhãs, o leão acorda e sabe que deverá correr mais do que a gazela se não quiser morrer de fome.

Moral da História:
Pouco importa se és gazela ou leão, quando o sol nascer deves começar a correr.

[3] ZONA DE CONFORTO

liderança e gestão em 5 lições [3.ª Lição]

Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada. Um pequeno coelho vê o corvo e pergunta-lhe:
- Posso sentar-me, como tu, e não fazer nada o dia inteiro?
O corvo responde:
- Claro, por que não?
O coelho senta-se no chão, debaixo da árvore e relaxa. De repente, uma raposa aparece e come-o.

Moral da História:
Para ficares sentado sem fazeres nada deves estar sentado bem no alto .

[2] CHEFIA E LIDERANÇA

liderança e gestão em 5 lições [2.ª Lição]

Dois funcionários e o gerente de uma empresa saem para almoçar. Na rua encontram uma antiga lâmpada a óleo. Esfregam-na e, de dentro dela, sai um génio. O génio diz:
- Só posso conceder três desejos, por isso, concederei um a cada um de vós.
- Eu primeiro, eu primeiro – grita um dos funcionários –, queria estar nas Bahamas a pilotar um barco, sem ter nenhuma preocupação na vida!
- Desejo concedido – exclama o génio. Puf! E lá se foi.
O outro funcionário apressa-se a fazer o seu pedido:
- Quero estar no Havai com o amor da minha vida e um provimento interminável de pina coladas!
- Desejo concedido – sentencia o génio. Puf e lá se foi.
- Agora você – diz o génio para o gerente.
- Quero que aqueles dois voltem ao escritório logo depois do almoço .

Moral da História:
Deixe sempre o seu chefe falar primeiro.

[1] GESTÃO DO CONHECIMENTO


liderança e gestão em 5 lições [1.ª Lição]

A mulher sai do banho, pega na toalha, e começa a enxugar-se. O marido entra, por sua vez, no chuveiro. A campainha toca. Depois de alguns segundos de discussão para ver quem iria atender, a mulher desiste, enrola-se na toalha e desce as escadas. Quando abre a porta, vê o vizinho Filipe na soleira. Antes que ela possa dizer qualquer coisa, diz o Filipe:
- Dou-lhe € 10.00 se deixar cair essa toalha.
Depois de pensar por alguns segundos, a mulher deixa cair a toalha e fica nua. Filipe, então, entrega-lhe os € 10.00 prometidos e vai-se embora.
Confusa, mas radiante com a sua sorte, a mulher fecha a porta, enrola-se novamente na toalha e volta a subir. Quando entra no quarto, o marido grita do chuveiro:
- Quem era?
- Era o Filipe, o vizinho da casa ao lado - diz ela.
- Óptimo! Deu-te os € 10.00 que me estava a dever?


Moral da história:
Se compartilhares informações a tempo, podes evitar exposições desnecessárias!

05 dezembro 2008

ESTAREI...

Ontem, chamada, salvo erro, pelos bloquistas, a ministra da educação foi, mais uma vez, ao parlamento. Confesso que me começa a faltar a pachorra para aturar as cretinices da senhora, mas, de relance, dei uma vista de olhos na meia dúzia de segundos que um dos canais dedicou ao assunto no jornal das oito. Apesar do interesse fugidio que dediquei ao acontecimento houve três pormenores que retive: o primeiro foi o semblante carregado da senhora que aquela indumentária de corvo, em nada favorecia. Devia despedir o assessor de imagem. A segunda tem a ver com o tempo verbal empregue numa afirmação “estarei totalmente aberta à discussão…”. Devo referir que este “estarei”, não se refere ao amanhã, nem sequer ao próximo mês, refere-se, isso sim, ao próximo ano ou aos próximos anos. Ouvir esta afirmação causou-me uma impressão horrível. Imaginar esta ministra, acolitada por aqueles dois mostrengos, nos próximos anos, a continuar a fazer o trabalho medonho que tem feito até agora. A quem não passou despercebido este “estarei”, devia ter passado pela mesma experiência pavorosa. Deus nos livre de tal provação. A terceira tem mais a ver com o conteúdo da mensagem. Uma mensagem, pelo menos, imbecil, que demonstra à saciedade as intenções destes senhores: “O modelo pode ser corrigido mas primeiro tem de ser aplicado”. Quando a ministra, enfrentando os parlamentares da nação, faz uma afirmação destas, acaba de esvaziar qualquer resquício de credibilidade que poderia ainda conter.

PS: a ministra mostrou-se ao país, cansada, triste, azeda e, pior que tudo, oca. A oferta que lhe fiz há 9 meses mantém-se. Na esperança de que a senhora, finalmente, aceite, tenho, desde aí, paulatinamente, aclarando a voz.

03 dezembro 2008

E AINDA LHE PAGAM?

Há dois temas sobre os quais todo o português que se preze tem sempre opinião. Definitiva opinião, diga-se. É sobre futebol e sobre o tempo (ando fodido dos ossos!.. Humm, o tempo vai mudar). Há depois outros temas, que podemos considerar sazonais, que ocupam, por prazos mais ou menos longos, consoante o ruído do assunto, as conversas dos indígenas. Actualmente falamos de educação.
Mas, como em tudo na vida, também aqui a quantidade é inimiga da qualidade e mesmo aqueles de quem se esperaria, pelo menos, uma opinião inteligente, produzem arrazoados que em nada elevam o baixo nível em que caiu a discussão. Na sua última crónica para o Jornal de Notícias, Manuel Serrão, escreve sobre educação (e que mais podia ser?). Logo de início vai avisando os leitores que para escrever esta crónica dá-me muito jeito perceber pouco do fundo da questão. Vai falando depois das guerras entre sindicalistas e governo e colegas cronistas do jornal e, mais à frente, contando que a alguém possa ter passado despercebido o primeiro aviso, reitera que gostava de repetir que, até por falta de informação (a que se somará porventura alguma falta de formação na área), pouco sei dos verdadeiros problemas em cena na greve dos professores. Diz mais qualquer coisa sobre a entidade patronal da classe docente e conclui: imaginemos em tese académica que os professores estão cheios de razão. […] Imaginemos que por um estranho acaso, todos os professores estão de acordo com a greve e os outros termos da luta contra o Governo. […] Mesmo assim, não me parece que o Governo tenha de ceder.
- Manuel Serrão, teve muita sorte o seu paizinho não o ter mandado para professor: se produzisse esta bela argumentação numa turma do oitavo ano, pela certa os alunos crucificavam-no – não, crucificar não. Não que não o merecesse, mas seria difícil arranjar um madeiro à sua medida. Mas umas boas dúzias de ovos ganhava, isso posso garantir-lhe.
E agora só entre nós senhor Serrão: o senhor escreve estas bostas e o JN ainda lhe paga por cima?

... APENAS NOSTALGIA DE SER LIVRE.

Nestes dias de chumbo que se vivem nas escolas públicas, socorro-me de Al-Mu'tamid

Chorei quando vi passar
livre, sobre mim voando,
o bando de cortiçóis.
Nem grades nem grilhetas os detinham.
Não foi por inveja que fiquei chorando...
apenas nostalgia de ser livre,

27 novembro 2008

NO MEU CASO NÃO!

O personagem galga sofregamente as escadas acossado pela matilha de jornalistas. As luzes mordem-lhe o cachaço cabeludo mas ele não vacila. Trota sem parar. Quase no cimo, olha por cima do ombro para o último resistente e dispara numa vozinha cómica, quase infantil: “No meu caso não!”. Satisfeito, o jornalista interrompe, por fim, a perseguição e fica a ver a “presa” alcançar o último patamar e, no seu passinho miúdo de Charlot, desvanecer-se de encontro à luz que jorra lá do fundo e ilumina a cena.
Podia ser o plano de um filme da série B. Tinha todos os condimentos para tal. Mas não. A cena nada tinha de ilusório. O doutor Sebastião é o presidente da Autoridade da Concorrência. O seu amigo de longa data e ministro da economia, Manuel Pinho, viu nele predicados mais do que suficientes para um bom desempenho do cargo e escolheu-o. Paralelamente, o doutor Sebastião pertencia à direcção da ordem dos economistas. Pertencia e ainda pertence. Dito de outra forma: o doutor Sebastião enquanto membro da direcção da ordem dos economistas vai ser investigado pelo doutor Sebastião enquanto presidente da Autoridade da Concorrência. Os estatutos deste último organismo dizem claramente que está vedado aos membros do Conselho o exercício de quaisquer funções públicas ou privadas, ainda que não remuneradas, com excepção da docência a tempo parcial no ensino superior mas, quando o jornalista lhe lembrou isto, o doutor, candidamente, assegurou: “No meu caso não!”.
Eu oiço isto e fico a pensar: que magnífico odor exalará um corpo que desobriga o seu dono daquelas maçadas que todos nós, os brutos, somos obrigados a cumprir? “No meu caso não!”. Eu oiço isto e vem-me à memória o jovem Arnau Estanyol: - Pai […], que dizem os livros acerca de nós, camponeses? - Dizem que somos animais, brutos, e que não somos capazes de entender o que é a cortesia. Dizem que somos horríveis, vis e abomináveis, desavergonhados e ignorantes. Dizem que somos cruéis e toscos, que não merecemos nenhuma honra porque não sabemos apreciá-la, e que só somos capazes de entender as coisas à força. Dizem que…