
estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.
[...]
José Luís Peixoto, "a mulher mais bonita do mundo"

Um dia, um dirigente de uma poderosa estação de televisão, do qual não me lembra nome nem condição, procurando exemplificar o poder da TV dizia: «Se a televisão não mostrou o incêndio na floresta, será que ela, realmente, ardeu?»
No manuseio do comando da televisão não fico nada atrás de um qualquer adolescente a escrever mensagens no telemóvel. Não que tenha especial destreza nos polegares mas o facto de ter apenas dois ou três canais, a que dedico algum interesse, permite-me lá chegar de olhos fechados. Não quero com isto dizer que num momento de maior pachorra não passeie pelas restantes teclas. Com um pouco de sorte encontram-se coisas extraordinárias. Há uns dias, no Porto Canal, penso que numa mesa redonda – estes passeios nunca dão para a gente se deter mais do que breves momentos em cada capelinha – às tantas arrazoa um dos intervenientes: Aliás, é até perigoso colocar o problema dessa maneira (o problema a que se referia era a diminuição do número de deputados na Assembleia da República), a opinião pública - continuava a discorrer a criatura -, podia, até, pensar que os deputados não estavam lá a fazer nada.
Os conhecimentos empíricos, apurados por gerações de bebedores, já há muito que tinham concluído que o Champanhe é para beber frio. Agora a ciência vem validar o que o palato já tinha por adquirido. Uma equipa de académicos da Universidade de Reims concluiu que a temperatura ideal para se servir o Champanhe é de 4º C, pois, a esta temperatura, as moléculas de Dióxido de Carbono presentes na bebida têm mais dificuldade em desprender-se do líquido do que teriam se a temperatura fosse superior. Ora, sabendo-se que o CO2 ajuda a transferir o sabor, o aroma e a sensação da bebida para a boca do degustador, vemos quão importante é conseguir-se manter aprisionado no líquido a maior quantidade possível desse gás. Mas a equipa de cientistas não se ficou por aqui. No seu estudo, publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry, os académicos discorrem, ainda, sobre o modo ideal para se verter o líquido para a taça concluindo que esta deve estar ligeiramente inclinada para que a bebida escorra pela sua parede ao invés de a colocar na vertical e verter o líquido directamente no fundo. As razões prendem-se, também, com o CO2. Se a taça estiver na vertical a turbulência causada pelo líquido ao bater no fundo vai acelerar a libertação do Dióxido de Carbono mas se se inclinar ligeiramente deixando que o líquido escorra pela parede evitar-se-á parte desse problema e as perdas serão reduzidas a metade.
Decididamente já nada nos consegue arrancar desta letargia que vai tomando conta da gente. Feitos tolos, acreditando em milagres, ainda acalentamos a esperança que os frente-a-frente dos candidatos à presidência trouxessem alguma animação às hostes mas logo desde o primeiro se viu ao que vinham e as esperanças ruíram logo ali. É que nem uma mísera ideia original se ouve da boca daquele pessoal e as únicas ideias estapafúrdias que até podiam dar para alegrar não o logram fazer porque sendo estapafúrdias não são originais. No frente-a-frente de ontem, que não tive pachorra para ver, a dado momento o candidato Nobre, aquele da parábola da galinha e do menino, puxa da manga aquilo que seria o seu trunfo: se for eleito abrirei o palácio de Belém ao povo! Cá está uma ideia nada original. Diria mesmo, uma ideia requentada. O grande estadista Hugo Chavez já há muito que a pôs em prática lá em casa. E mais, além de abrir as portas do palácio de Miraflores ao povo ainda chamou duas dúzias de famílias para lá viverem com ele. Ainda gostava de ver o presidente Nobre a fazer o mesmo. Já estou a imaginar quem iria ocupar a sala dos Embaixadores, ou a sala Dourada ou mesmo a sala Império… enfim, o presidente Nobre iria ficar aconchegadinho.
Ontem, ao assistir à habitual homilia de Natal do primeiro-ministro – assistir é uma força de expressão que eu não consigo ouvir mais do que as primeiras frases do homem sem me irritar –, lembrei-me dos ratos que cantam. A história, contava-a o JN de quarta-feira, relata o achado de uma equipa de investigadores da universidade de Osaka que, ao que parece inadvertidamente, criou uma série de ratos que, em vez de emitirem aquela chiadeira própria da sua condição, desataram a emitir sonoros chilreios de fazer corar de inveja as mais pintadas das aves canoras. E foi aqui que me lembrei dos ratos cantores: se os cientistas japoneses pudessem fazer alguma coisa à voz incomodativa daquele personagem. Não digo pô-lo a cantar mas, pelo menos, afinar-lhe as cordas vocais - e, já agora, o discurso - de modo a ser menos tormentoso ouvi-lo. E o tratamento podia ainda trazer-lhe outros benefícios: o estudo permitiu apurar que os roedores, além de ficarem com melhor voz, também modificaram algumas das suas características físicas como a cauda que ficou mais fina. Se pensarmos no apêndice nasal do homem fácil será ver os benefícios que daí podia tirar.

Por alturas da primeira guerra do golfo, quando os beligerantes se preparavam para a contenda, um jornalista decidiu entrevistar o comandante de uma determinada companhia britânica que tinha a fama, e ao que parece também o proveito, de fazer sempre o “trabalho” bem feito. A certa altura da entrevista o jornalista perguntou ao coronel qual era o segredo para que a sua companhia fosse sempre tão “eficaz” no cumprimento das missões. A resposta saiu cristalina: O segredo está no estômago. Os meus homens sabem que têm as suas necessidades básicas asseguradas e a necessidade primeira é a alimentação. Um soldado esfomeado jamais conseguirá cumprir convenientemente a sua missão.
Ontem, a propósito da publicação dos rankings das escolas, ouvi duas declarações que, não fora a responsabilidade de quem as produziu, ter-me-ia rido a bandeiras despregadas.
O louva-a-deus é um insecto singular. Em repouso lembra alguém orando, daí o nome pelo qual é conhecido. A forma e as cores do seu corpo permitem-lhe uma camuflagem perfeita. Da sua dieta habitual fazem parte pequenos insectos, como moscas, abelhas e gafanhotos. Uma das particularidades da espécie tem a ver com a originalidade dos métodos adoptados na hora de trabalhar para a perpetuação da espécie. Na hora do acasalamento, ainda o macho não terminou a função, e já a fêmea se prepara para lhe arrancar e comer a cabeça. Não, pelos vistos não o faz como penalização pelo sofrível desempenho do parceiro, a razão é, digamos assim, bem menos prosaica, fá-lo como forma de se apropriar de uma importante reserva de nutrientes de que necessitará até à altura da postura dos ovos evitando, desse modo, ter de se expor aos seus predadores naturais ao procurar alimento. Está claro que com este acto a bicha, além de ficar de barriguinha cheia, evita também que o Romeu se dê p’ra outras Julietas. Lembrei-me do louva-a-deus quando no passado fim-de-semana li que o Rui Pedro Soares se mostrou disponível para ser dono do Sol. Rui Pedro Soares, para quem não se lembra, é aquele jovem ex-administrador da Portugal Telecom que quando foi chamado a depor numa comissão de inquérito no Parlamento parece que estava frente a um pelotão de fuzilamento e produziu o depoimento mais ridículo que aquelas paredes já ouviram: “… eu sou um fervoroso adepto de futebol… acho que como a maioria dos portugueses… fervoroso adepto de futebol… sou um fervoroso adepto de futebol e o meu clube é o futebol clube do porto…”. Na altura os jornais, com o Sol à cabeça, não lhe deram descanso e apesar de ter interposto uma providência cautelar para que o semanário não publicasse umas certas escutas telefónicas estas foram mesmo publicadas o que desagradou ao gestor que meteu o jornal em tribunal. A sentença acaba de ser publicada e atribui ao queixoso uma batelada de dinheiro em indemnizações. Ora o homem não está com meias medidas: "Se o Sol não conseguir pagar a dívida, estou disponível para me entender com os accionistas do semanário e ficar dono do jornal". Quando, no último fim-de-semana soube das intenções do ex-administrador não pude deixar de pensar na louva-a-deus: fodeste-me, pois agora vou-te comer!
Conta-se que Ruy Barbosa, o grande filólogo brasileiro, um dia, ao chegar a casa, ouviu um barulho suspeito vindo das traseiras da moradia. Pé ante pé vai investigar e dá de caras com um pilha galinhas que sorrateiramente se preparava para saltar o muro com os patos da sua criação bem acondicionados na serapilheira.
Neste dia recordo quem me contava histórias e lembrava lendas a todo o momento. Recordo de quem aprendi papões, borralheiras e naus catrinetas e mil ladainhas e histórias de reis, fadas e dragões, coisas de encantar;
Confesso que nutro pelo ministro Luís Amado uma certa admiração. Essencialmente, por três razões. Em primeiro lugar porque gosto de ver a forma contida como usa as palavras. Tenho para mim que um ministro, ainda para mais se for dos Negócios Estrangeiros, deve usar da diplomacia, até no uso da palavra, que é, todos o sabemos, uma mercadoria valiosa, logo para ser usada com parcimónia. Nada como aqueles seus colegas palavrosos que acreditam piamente que uma mentira mil vezes repetida é uma verdade. A segunda razão é, digamos assim, mais do foro solidário: por mais tempo que passe não consigo esquecer aquele episódio caricato na entrada para uma cimeira durante a Presidência Portuguesa da União Europeia em 2007 quando ele e o primeiro-ministro avançavam, um para o outro, de mão estendida para se cumprimentarem. Quando as mãos se encontravam já a poucos centímetros uma da outra, Sócrates, olhando por cima do ombro do seu ministro e vendo um outro conviva mais apelativo, deixou o ministro Amado de mão espetada e de expressão aparvalhada e avançou para o convidado. Todos nós, que já estivemos nesta situação, sabemos como dói. O ministro Amado não merecia. A terceira razão, mas não a menos importante, tem a ver com as competências do ministro. Acho que tem desempenhado de uma forma competente e empenhada o lugar para o qual foi escolhido. E isso é o que se pede a um ministro.
Conta-se que um dia, um médico recém-formado, foi trabalhar para uma cidade de garimpeiros perdida nos confins da selva sul-americana. Quando lá chegou, reparou que na cidade só viviam homens. Uns dias depois, quando já tinha alguma familiaridade com os habitantes da cidade, perguntou a um dos seus pacientes o que é que os homens da cidade faziam quando necessitavam de sexo.