
Pois é senhor presidente, o senhor foi conivente com a política que nos trouxe até aqui. Confiamos em si, levámo-lo para o palácio cor-de-rosa para que olhasse por nós, mas o senhor defraudou-nos. Deixou que uma equipa governativa, que, diga-se, tinha todas as condições para fazer um bom trabalho, trouxesse uma carga inimaginável de contestação a todos os quadrantes da sociedade portuguesa. Vou-lhe dar apenas dois exemplos de oportunidades perdidas pelo senhor:
Primeiro caso: quando após um ano de governação, e depois da equipa ministerial da educação ter feito o mais vil ataque a tudo o que de bom se ia produzindo nas escolas do país, a ministra vem dizer que, apenas num ano, os resultados escolares dos alunos tinham melhorado trinta por cento, o que disse o senhor a esse respeito? Nada! O senhor é professor, sabe que nenhum país do mundo consegue, no espaço de apenas um ano, melhorar em trinta por cento os resultados escolares dos seus alunos a menos que trapaceie as estatísticas. Devia, alto e bom som, ter ajudado a desmascarar esse embuste, mas, em vez disso, deixou-nos sozinhos a lutar pela verdade e, passado pouco tempo, veio publicamente tecer os mais rasgados elogios à equipa ministerial e ao trabalho que estavam desenvolvendo. Olhando hoje para o descalabro que se vive nas escolas do país sempre gostaria de saber se continua a comungar dessa peregrina opinião do bom trabalho;
Segundo caso: quando na assembleia da república com a habitual pompa o primeiro ministro dava conta dos primorosos resultados de um estudo da OCDE sobre a educação no país que se veio a saber ter sido feita com base em resultados de nove escolas – pasme-se, resultados de apenas nove escolas – e, ainda por cima escolhidas por quem encomendou o estudo que, afinal não foi feito pela OCDE mas sim por uma funcionária dessa organização que nas horas vagas faz uns trabalhos desse género, o que disse o senhor sobre esse caso que cobriu o país de vergonha? Nada!
Apenas dois casos dos inúmeros que foram envenenando a vida dos portugueses ao longo dos últimos quatro anos. O senhor tinha a obrigação de prever o desastre e repará-lo enquanto era tempo. Em vez disso, sabe-se lá porquê, deixou que se cometessem todos os atropelos que se foram cometendo ao longo destes quatro anos de modo que agora é já tarde demais e os tempos que aí vêm serão bem ásperos para muitos de nós.






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Sinal dos tempos, ontem, as televisões, abriram os noticiários do horário nobre com um filme de telemóvel. Pelo décor apercebemo-nos que tudo se passava numa sala de aula de uma qualquer escola do país. A filmagem, feita por um dos alunos da turma, mostrava uma encolerizada aluna do 9.º ano gritando para a professora e arrastando-a pela sala, enquanto esta tentava chegar à porta para, naturalmente, pedir ajuda. As imagens eram degradantes, mas o que mais me horrorizou foi não ver aparecerem os restantes alunos da turma para porem cobro àquele espectáculo aviltante, antes proferindo frases de regozijo e aprovação pelo que se passava.
Há tempos, numa das minhas habituais rondas pelos blogs “amigos” descobri um comentário que um energúmeno achou por bem deixar em vários deles. Dizia mais ou menos isto: “Blog de merda, este. Quem não sabe dizer mais nada, põe fotografias”. Se bem que o comentário fosse injusto para muito dos destinatários, confesso que me deu uma enorme vontade de rir ao ler tal coisa. Penso que o intuito do endemoninhado era chocar, o que, em parte, terá conseguido. Quem visitasse o seu poiso podia ver toda a sorte de impropérios com que os ofendidos acharam por bem obsequiá-lo.


