
Beijos e abraços para todos que cá vierem e, já agora, um bom ano.
poema completo [aqui]

Na admirável obra “Memórias de Adriano”, Margarite Yourcenar, apresenta-nos um imperador próximo da gente comum, atacado pelas mesmas fraquezas que atormentam a gente anónima. Tendo recebido imensos territórios do seu antecessor Trajano, Adriano, suspende a sanha conquistadora do antepassado e dedica parte da sua vida a solidificar as conquistas recentes.
Nos últimos trinta anos a educação tem sido entregue, ora a românticos, ora a fracos. Quando se pensava que a pasta tinha encontrado, finalmente, o dono certo, eis que entra em cena uma equipa de aventureiros que, de educação, parece não entenderem muito mais do que aquilo que lhes ficou de umas leituras apressadas. E desastre após desastre, três anos depois, a parte do edifício que ainda continuava de pé, acaba de ruir.
liderança e gestão em 5 lições [5.ª Lição]
liderança e gestão em 5 lições [4.ª Lição]
liderança e gestão em 5 lições [2.ª Lição]
Ontem, chamada, salvo erro, pelos bloquistas, a ministra da educação foi, mais uma vez, ao parlamento. Confesso que me começa a faltar a pachorra para aturar as cretinices da senhora, mas, de relance, dei uma vista de olhos na meia dúzia de segundos que um dos canais dedicou ao assunto no jornal das oito. Apesar do interesse fugidio que dediquei ao acontecimento houve três pormenores que retive: o primeiro foi o semblante carregado da senhora que aquela indumentária de corvo, em nada favorecia. Devia despedir o assessor de imagem. A segunda tem a ver com o tempo verbal empregue numa afirmação “estarei totalmente aberta à discussão…”. Devo referir que este “estarei”, não se refere ao amanhã, nem sequer ao próximo mês, refere-se, isso sim, ao próximo ano ou aos próximos anos. Ouvir esta afirmação causou-me uma impressão horrível. Imaginar esta ministra, acolitada por aqueles dois mostrengos, nos próximos anos, a continuar a fazer o trabalho medonho que tem feito até agora. A quem não passou despercebido este “estarei”, devia ter passado pela mesma experiência pavorosa. Deus nos livre de tal provação. A terceira tem mais a ver com o conteúdo da mensagem. Uma mensagem, pelo menos, imbecil, que demonstra à saciedade as intenções destes senhores: “O modelo pode ser corrigido mas primeiro tem de ser aplicado”. Quando a ministra, enfrentando os parlamentares da nação, faz uma afirmação destas, acaba de esvaziar qualquer resquício de credibilidade que poderia ainda conter.
Há dois temas sobre os quais todo o português que se preze tem sempre opinião. Definitiva opinião, diga-se. É sobre futebol e sobre o tempo (ando fodido dos ossos!.. Humm, o tempo vai mudar). Há depois outros temas, que podemos considerar sazonais, que ocupam, por prazos mais ou menos longos, consoante o ruído do assunto, as conversas dos indígenas. Actualmente falamos de educação.
Nestes dias de chumbo que se vivem nas escolas públicas, socorro-me de Al-Mu'tamid
Numa recente entrevista ao Correio da Manhã a ministra da educação confessou que “se o governo suspendesse a avaliação seria uma vergonha”. Note-se que a senhora não disse que tinha que se avançar com este modelo de avaliação porque esse era o caminho certo. Não. O que ela disse é que não recuava porque isso seria uma vergonha. Enquanto os nossos políticos continuarem a governar para as aparências, borrifando-se para o interesse do país, parafraseando Millôr Fernandes, continuaremos fodidos!
invertebrado, adj. (zool.) diz-se dos animais desprovidos de endosqueleto desenvolvido (com vértebras) e crânio propriamente dito, em oposição aos vertebrados ou craniotas.
Senhor primeiro-ministro, eu sei que o senhor é visita assídua deste blog e, perdoe-me a imodéstia, sei, até, que o tem em boa conta. Como sei tudo isso vou esclarecê-lo sobre um assunto porque, por mais do que uma vez, já o vi meter os pés pelas mãos. É sobre a avaliação dos professores. Ainda um dia destes, em Ponte de Lima, enquando distribuía autógrafos pelos alvoroçados alunos – é campeão! dizia o senhor com a mesma convicção com que eu diria que este ano, finalmente, os políticos vão deixar de mentir ao povo – e prantava uma série de Magalhães – duzentos e sessenta ao que me dizem - na frente das criancinhas que os receberam com “um brilhozinho nos olhos” como reconheceu junto do seu staff, que recolheria, depois das fotografias da praxe, para continuar o seu reclame noutra escola, dizia aos jornalistas, com aquele seu ar de homem providencial: “Eu não quero que os professores passem mais trinta anos sem serem avaliados!” Cometeu, como vem cometendo desde há tempos, um erro grosseiro. Na realidade, aquilo que o senhor vem dizendo, é uma grande mentira. Compreendo que uma pessoa não pode saber tudo. Nem mesmo sendo o primeiro-ministro. Sei também que não arranjou uma grande equipa para o elucidar. Começando pela doutora Maria de Lurdes, sempre a humedecer aqueles lábios finos antes de cada frase. Deve ser intragável – refiro-me, claro está, às suas qualidades de conversadora –, sempre a martelar as suas ideias sem dar qualquer oportunidade ao interlocutor. E eu sei que, tal como eu, também o senhor primeiro-ministro gosta de uma boa cavaqueira. E cavaqueira pressupõe diálogo! Tenho quase a certeza que também o senhor não apreciará nada a sua companhia. Podia perguntar àquele senhor da carapinha que fala sempre com aquela falta de voz como se tivesse passado metade da noite a puxar pela equipa. Mas, para lhe ser franco, parece que também por aí não ganharia grande coisa. A sensação que dá ao ouvi-lo é que diz sempre a mesma coisa, independentemente dos assuntos, e isso pode tornar-se perigoso. É que, normalmente, não acerta. Temos depois o senhor da careca, aquele que quando é apanhado em falso, e é-o muitas vezes, fica com a moleirinha brilhante de suor e desata a dizer que a culpa é dos adversários e dos manobradores. Também parece faltar-lhe aquele distanciamento essencial a uma pessoa sensata. Sobra aquele senhor que costuma dizer: “bamos promober um encôuntro” e que tenho visto, juntamente com vossa excelência, a distribuir Magalhães e a lambuzar as criancinhas com beijos mas, também por aí, basta o dito senhor abrir a boca para ficarmos a saber o que dele se pode esperar. De modo que, tirando a ministra, subtraindo o da carapinha, deduzindo o da careca e descontando o do encôuntro, quem resta?
Os vândalos do Secundário – ou adversários da política educativa, no dizer do secretário Pedreira –, voltaram a manifestar-se. Agora em Lisboa, na Secundária de D. Dinis, os alunos voltaram a atacar uma equipa ministerial. Embora tivessem diversificado as munições, além dos ovos tinham também tomates, o seu objectivo não foi inteiramente atingido: a equipa de intervenção rápida da PSP foi chamada à escola para pôr na ordem a chusma dos perigosos desordeiros e, segundo declarações dos responsáveis pelas forças da ordem, apesar de ter havido arremesso de alguns ovos, nenhum acertou nas viaturas nem em ninguém da comitiva.
Ontem, em Fafe, os alunos do Secundário presentearam a ministra da educação – ou o seu automóvel, para sermos mais precisos – com uma monumental chuva de ovos, que só não tomou ainda maiores proporções porque, chamada a intervir, a GNR confiscou uma parte considerável das munições. “Foi a única maneira de nos fazermos ouvir!”, diriam os adolescentes. Pouco tempo depois, o primeiro-ministro, naquela sua vozinha de cana rachada, afivelando a costumeira expressão de quem acaba de assistir à lapidação de uma virgem, bufa por cima do ombro para os jornalistas que não conseguem acompanhar a sua passada atlética: “Lamentável, absolutamente lamentável!” À parte a opinião de cada um, acerca do sucedido, há duas notas a reter de todo este imbróglio. A primeira é que, analisando com rigor o comportamento da ministra, somos levados a concluir que, pelo menos em parte, os alunos têm razão: por meios civilizados a ministra não ouve ninguém. Já a segunda é de molde a descansar os nossos espíritos inquietos: a geração que aí vem continua interventiva. À noite, ligo a televisão e um peralta com uns ridículos óculozinhos de aros grená pedia desculpa à ministra pelo sucedido. De repente ainda pensei que era um dos mariolas que tinha atacado a senhora e agora demonstrava o seu arrependimento, mas não, era tão-somente o presidente da câmara reprovando com veemência a atitude dos seus munícipes e lamentando a sua pouca sorte: tinha posto o maior dos empenhos naquela visita da governante, tinha posto uns óculos à Sarah Palin e uma gravatinha de seda a condizer e, de repente, vê uma camada de energúmenos a rapinarem-lhe esse gosto. “Esta atitude envergonha-me” diria.
A notícia, ainda que envergonhada, lá estava entre as novas que naquele dia pontificavam na secção local de um diário nacional. Ali para os lados de Paredes de Coura – em Castanheira, assim é que é –, tinha-se realizado um sorteio peculiar. O campo da bola lá da terra, com a mesma cal que Domingo sim, Domingo não, se fazem as marcações para o futebol, foi dividido aos quadradinhos, devidamente numerados. Depois do almoço, os castanheirenses tomam o caminho do campo. Lá chegados, quem quisesse experimentar a sua sorte, e tivesse posses para tal, escolhia o número da sua predilecção e “comprava” o quadradinho. Depois do campo “vendido”, passava-se, então, ao sorteio. E é aqui que está o caricato do processo. A organização solta uma vaca no campo da bola. O bicho lá vai “ruminando” a sua pouca sorte, alheio à populaça que ao redor do campo parece querer dizer-lhe algo e, quando acometido de uma maior pressão intestinal, pára e, literalmente, defeca sobre um número. A algazarra do povo atinge o clímax: o vencedor do primeiro prémio está encontrado. A vaca, essa, continua em campo: terá de cagar ainda o segundo e o terceiro prémios. Findo o jogo, na hora de pagar aos vencedores, o primeiro pode levar o dinheiro para casa, ou, se assim o preferir, a vaca.
Chegou-me hoje à caixa do correio, encaminhado já me não lembro por quem, um link que remetia para uma notícia do Correio da Manhã de há meia dúzia de dias onde Mário Nogueira, secretário-geral da Frenprof, respondia a algumas questões e, entre outras coisas, se insurgia contra as arbitrariedades e injustiças que, por estes dias, vão atazanando a vida dos professores. Embora o mail chamasse a atenção para a entrevista, confesso que esta pouco interesse me despertou – para mal do país este estado de coisas começa a eternizar-se –, antes me chamaram a atenção os comentários que a dita entrevista mereceu dos leitores. De um modo geral as opiniões iam, monotonamente, no sentido de dizerem que os malandros dos professores não querem é ser avaliados, enfim, a ladainha que lhes vêm ensinando há tempos e eles, sem qualquer capacidade de discernimento – não diria análise –, vão repetindo. De todos esses comentários elegi um que antecipa, na perfeição, aquilo que os nossos alunos, aqueles que hoje se sentam nos bancos da escola, poderão vir a fazer no futuro se rapidamente não se arrepiar caminho. O Jorge, diante do monitor, como se enfrentasse uma turba imensa de indolentes e odiosos, disse de sua justiça:
Profeta é, por definição, aquele que profetiza, que prevê acontecimentos futuros por dedução ou intuição. O ministro Manuel Pinho ainda lá não chegou. Até agora ainda só consegue identificar com precisão o momento em que as coisas acontecem. Sejam boas, como quando, vai para dois anos, anunciou o terminus da crise, sejam das mais penosas como a que nos deu a conhecer há dois dias: “O mundo de prosperidade acabou!”.
Um dia, acompanhei um fotojornalista até Arja, onde se removiam os escombros de uma escola feminina. Quando uma retro-escavadora pôs a descoberto muitos corpos de meninas, ele olhou-me emocionado: «Daqui a meia hora, esta foto estaria a circular o mundo. Mas tenho duas filhas desta idade...» E não fotografou.
Ninguém tem consciência de nada […] O mais incrível para mim é esta indiferença geral que está instalada. […] Quando confrontado com uma grande mudança, o público tende a ficar muito mais alarmado do que os peritos. […] Mas aqui é ao contrário. O público parece muito descontraído com a questão do aquecimento global, enquanto os peritos estão em pânico. […] Quando os cientistas do painel da ONU vieram a público e confirmaram que, nas próximas décadas, as tempestades vão ficar mais violentas, o deserto irá alastrar para mais de metade do planeta e o nível do mar vai subir uma dezena de metros ou mais, […] só faltou ver as pessoas bocejarem de tédio. […] E os políticos, que deviam ter juízo na cabeça, estão na mesma […] com aquela filosofia do deixa andar e o raciocínio de que os que vêm a seguir que desliguem a luz e paguem a conta.
Nestes dias de brasa em que molhadas de ministros se desdobram pelas escolas do país a dizer barbaridades e a distribuir cheques de 500 euros, lembrei-me de um recente estudo sobre as profissões que inspiravam mais confiança aos portugueses.
Nos tempos da guerra colonial, chegados que éramos ao Natal, lá tínhamos a monopolista RTP exibindo durante a quadra os filmezinhos que previamente tinha gravado no teatro de operações. Tudo se passava mais ou menos assim: no meio da mata, uma câmara fixa, um arremedo de jornalista empunhado um microfone e uma fila enorme de militares. Iniciada a coisa, o primeiro da fila avançava, dizia o que tinha a dizer – normalmente: “para os meus pais, irmãos, madrinha de guerra e restante família, desejo um feliz natal e um ano novo cheio de propriedades. Eu estou bem. Adeus até ao meu regresso” – e saía em passo de corrida para dar o lugar ao seguinte que, com uma ou outra nuance, diria o mesmo. Lembrei-me disto, a primeira vez que vi aquelas fotos ridículas que a SIC insiste em mostrar-nos no fim de cada Jornal da noite. Agora que não temos guerra e as reportagens da quadra natalícia são feitas nos Centros Comerciais, a dita estação teve a infeliz ideia de pedir aos espectadores que mandassem fotografias das suas férias de verão para serem exibidas em horário nobre. Além da imbecilidade da ideia – quem teria sido o iluminado? -, a ver pela qualidade das obras, não deve haver qualquer trabalho prévio de selecção, isto é, tudo o que chega vai para o ar. E então é ver toda a sorte de figuras grotescas que vamos fazendo pelas sete partidas do imaginário da nossa classe média, das Caraíbas ao Pacífico Sul. A Alta Autoridade para a Comunicação Social devia admoestar os autores.
Ontem, ao almoço, enquanto apreciava os comensais reunidos à volta da mesa, lembrei-me dos legionários da American Legion que no longínquo ano de 1976 se reuniram na sala de Congressos de um hotel de Filadélfia para, entre outras coisas, falar das proezas do passado.
Uns dias antes do início do Euro’2008, a SIC decidiu “presentear-nos” com reportagens sobre o que cada um dos elementos da rapaziada que nos representaria na Suiça e, eventualmente, na Áustria, é, na intimidade, ou, no aconchego do lar, digamos. Talvez por falta de assunto, as reportagens revelaram-se, de um modo geral, pobrezinhas. Giravam sempre pelo trinómio: casas; carros; calinadas, – este pessoal da bola não deixa os créditos por mãos alheias: é pontapé na bola e na gramática. Por vezes, no meio de toda aquela mediocridade, lá vinha um pormenor um pouquinho mais interessante como aquele das flores para a senhora Scolari. Luís Felipe, ao que me consta, mora ali para os lados de Sintra. Um dia, durante as suas lides domésticas, parou na frutaria. Depois de receber pelos tomates e pelas cebolas, a dona da frutaria entregou um ramo de flores ao técnico: - são para oferecer à sua senhora! – disse. O sargentão ficou visivelmente agradado com o gesto, agradeceu, e, meio a brincar, foi dizendo que diria à esposa que tinha sido ele a comprá-las.
- Dizem que o seu pai foi primeiro envenenado, depois alvejado a tiro, depois apunhalado. Mas que ainda vivia e, desesperados por matá-lo, lançaram-no por um buraco no gelo e…
Ontem, em Idanha-a-Nova, por alturas da sessão de encerramento do 6.º Seminário Luso-Espanhol de Jornalistas, Mário Soares falou da Europa. Falou sobre os novos desafios que a União terá de enfrentar, sobre o Tratado de Lisboa – um longuíssimo e difícil tratado “à alemã” – e, em especial, sobre o impasse que, neste momento, a Europa vive. Ao ouvir hoje as palavras de Soares, não podemos deixar de nos congratular pelo facto de verificar-mos que anda a consultar o blogEVENTUAL. Mário Soares fez notar que faltam à Europa líderes com “peso” suficiente para resolver as dificuldades que se nos vão colocando.
Por cá, por este imenso Entroncamento, continuam a acontecer coisas extraordinárias. Ontem duas notícias prenderam a minha atenção.
Desconheço se a ministra da Educação lê jornais. Talvez, por absoluta impossibilidade, o não o faça. Na sua vidinha atarefada não lhe sobrará tempo para essas minudências. Deve ter uma súcia de assessores que lhe peneiram as notícias e, todas as manhãs, como em tempos faziam àqueleoutro, lhe entregam o seu diário, expurgado de desastres. Desgraçadamente, a malha da joeira é fina em demasia e, além de todo o farelo, retém, também, muita da farinha.
Sinal dos tempos, ontem, as televisões, abriram os noticiários do horário nobre com um filme de telemóvel. Pelo décor apercebemo-nos que tudo se passava numa sala de aula de uma qualquer escola do país. A filmagem, feita por um dos alunos da turma, mostrava uma encolerizada aluna do 9.º ano gritando para a professora e arrastando-a pela sala, enquanto esta tentava chegar à porta para, naturalmente, pedir ajuda. As imagens eram degradantes, mas o que mais me horrorizou foi não ver aparecerem os restantes alunos da turma para porem cobro àquele espectáculo aviltante, antes proferindo frases de regozijo e aprovação pelo que se passava.
Há tempos, numa das minhas habituais rondas pelos blogs “amigos” descobri um comentário que um energúmeno achou por bem deixar em vários deles. Dizia mais ou menos isto: “Blog de merda, este. Quem não sabe dizer mais nada, põe fotografias”. Se bem que o comentário fosse injusto para muito dos destinatários, confesso que me deu uma enorme vontade de rir ao ler tal coisa. Penso que o intuito do endemoninhado era chocar, o que, em parte, terá conseguido. Quem visitasse o seu poiso podia ver toda a sorte de impropérios com que os ofendidos acharam por bem obsequiá-lo.
CUIDEM-NO! CUIDEM-SE! AMEM-SE!
Não importa quanto pesa.
É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher.
Saber o seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.
Não temos a menor ideia de qual seja o seu manequim.
A nossa avaliação é visual. Isso quer dizer: se tem forma de guitarra... está bem!
Não nos importa quanto medem em centímetros – é uma questão de proporções, não de medidas.
As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheiinhas, femininas....
Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fracção de segundo.
As muito magrinhas que desfilam nas passereles seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays, odeiam as mulheres, e competem com elas .
As suas modas são rectas e sem formas. Agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.
Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura.
A elegância e o bom trato são equivalentes a mil viagras.
A maquilhagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem!
Para andar de cara lavada, basta a nossa.
Os cabelos, quanto mais tratados, melhor.
As saias foram inventadas para mostrar as suas magníficas pernas.
Por que razão as cobrem com calças longas? Para que as confundam connosco?
Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras, e pronto!
Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão, e eu reitero: nós gostamos assim!
Ocultar essas formas é como ter o melhor sofá embalado no sótão.
É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréctica, bulímica e nervosa logo procura uma amante cheiinha, simpática, tranquila e cheia de saúde.
Entendam de uma vez! Tratem de agradar a nós, e não a vocês, porque nunca terão uma referência objectiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher.
Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é linda.
As jovens são lindas... mas as de 30 para cima, são verdadeiros pratos fortes.
Por Karina Mazzocco, Eva Longaria, Angelina Jolie ou Demi Moore - ou Jessica Alba, digo eu -, somos capazes de atravessar o Atlântico a nado.
O corpo muda... cresce.
Não podem pensar, sem ficarem psicóticas, que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18.
Entretanto, uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento, ou está-se autodestruindo.
Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir a sua vida com equilíbrio e sabem controlar a sua natural tendência à culpa.
Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade – a dieta virá em Maio, não antes –; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade - não se sabota e não sofre -; quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.
Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tiram a beleza.
São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não estiveram anos em formol, nem em SPA’s. Viveram!
O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, mimados e nós, sem querer, enchemo-los de estrias, de esárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.
Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!
A beleza é tudo isto. Tudo junto!
Ao arrepio da opinião dos entendidos, são as óperas de cariz popular que eu aprecio na vasta obra de Guiseppe Verdi. Confesso que os meus rudes ouvidos apreciam muito mais A Traviata que as eleitas dos eruditos. Pela obra perpassa uma bela história de amor. Fala de amizade, de dignidade, de perdão, de arrependimento, enfim, de tudo o que os meus incultos ouvidos gostam de ouvir. A história conta-se em duas penadas. Violeta, uma mulher mundana, vive faustosamente a expensas de um barão. Um dia, durante uma festa em sua casa, Alfredo Germont é-lhe apresentado por um amigo comum. Num momento a sós, Alfredo confessa-lhe o grande amor que sente por ela. Violeta promete-lhe, tão só, a sua amizade mas, uma vez a sós, é fustigada pela imagem do jovem galanteador e pelas suas palavras que não consegue esquecer. Pouco depois os amantes iniciarão uma vida em comum que escandalizará a família de Alfredo. O pai fará tudo para afastar o filho daquela relação adúltera e, por fim, consegui-lo-á. Um dia, ao chegar a casa, Alfredo encontra uma carta da sua amada. Abre-a e basta ler a primeira frase para saber que Violeta o abandonou. A sua tristeza é pungente. Entretanto, Giorgio Germont, pai de Alfredo, entra, e ao ver o seu filho naquela melancolia, tenta fazê-lo esquecer-se daquele amor que tantas contrariedades tinha trazido à família. Fala-lhe, então, das belezas da sua Provença natal, tentando que deste modo o filho esqueça o seu amor contrariado e regresse ao lar. A beleza da melodia aliada à mágoa do filho e ao desespero do pai fazem de “Di Provenza il mar, il suol” a minha ária preferida d’A Traviata. Na última Segunda-feira, depois das enormidades do “Prós e Contras”, tive alguma dificuldade em adormecer. Cheguei os phones aos ouvidos e liguei o leitor de mp3. Tenho sempre esta ópera à mão. Contra o que é habitual, desta vez, nem com o desespero de Giorgio no fim do 2.º acto consegui adormecer.
Durante as vinte e quatro horas de um dia, se atentarmos um pouco (um pouco basta) nas notícias que nos bombardeiam, ouvimos coisas extraordinárias. Anteontem de manhãzinha, na televisão, falava-se de avaliação dos professores. A ministra da educação e uma roda de jornalistas. Três milhões de euros p’ráqui, providência cautelar p’ráli, decisão favorável dos tribunais p’rácolá, por fim lá vem a pergunta: “E quanto à avaliação dos professores, em que pé estão as coisas?”. Dos lábios finos da ministra sai esta coisa extraordinária: “A avaliação dos professores é um processo que está a decorrer em todo o país em absoluta normalidade”. Alguns segundos depois, as imagens que ilustravam a notícia seguinte davam conta das manobras nocturnas de mais de dois mil e quinhentos professores de Coimbra que marchavam em protesto pelas trapalhadas do ministério da educação. Ouvi isto e fiquei estuporado. Dei por mim a pensar no New York Times do David Rockfeller. Conta-se – conta-o José Saramago n’O Ano da Morte de Ricardo Reis –, que para o fim da vida, Rockfeller morreu em 1937 com a provecta idade de 98 anos, enquanto a América se debatia, ainda, com as sequelas da grande depressão e na Europa os sinais do caos que se avizinhava eram já bem visíveis, o New York Times fazia todos os dias um exemplar único do jornal, falsificado de uma ponta à outra, só com notícias agradáveis e artigos optimistas para que o pobre velho não [tivesse] de sofrer com os terrores do mundo e suas promessas de pior.