14 março 2007

A FÓRMULA DO DESPERDÍCIO

A haver uma grande expansão inicial, os cientistas perceberam que teria de haver uma radiação cósmica de fundo, uma espécie de eco dessa erupção primordial do Universo. […] Mas onde diabo estava o eco? […] Por mais que se procurasse, nada se encontrava. Até que em 1965, dois astrofísicos americanos estavam a levar a cabo trabalho experimental numa grande antena de comunicações […] quando depararam com um irritante barulho de fundo, uma espécie de assobio provocado por vapor. […] Andaram um ano a tentar eliminá-lo. […] Em desespero de causa, decidiram ligar aos cientistas da Universidade de Princeton, a quem relataram o que estava a acontecer e pediram uma explicação. E a explicação veio. Era o eco do Big Bang. […] O que eles estavam a captar era a luz mais antiga que chegou até nós, uma luz que o tempo tinha transformado em microondas. Chama-se a isso radiação de fundo […]
Oiçam, nunca vos aconteceu ligarem um televisor numa frequência em que não há emissão? […] Vemos aqueles pontinhos todos a pulularem no ecrã e um ruído enervante, assim crrrrrrrrr, não é? Pois ficam a saber que um por cento desse efeito é proveniente deste eco. […] Portanto, se um dia estiverem a ver televisão e nada vos interessar, sugiro-vos que sintonizem um canal sem programação e fiquem a ver o nascimento do Universo. Não há melhor reality show que esse.
José Rodrigues dos Santos, A Fórmula de Deus

Não direi que teria sido preferível ligar o aparelho de televisão num canal sem programação e deliciar-me com o nascimento do Universo em vez de ler a Fórmula de Deus de José Rodrigues dos Santos, mas confesso que me desiludiu bastante. Depois do Codex 632 esperava bem mais do que aquilo que me foi oferecido. O livro é, por vezes, um longo e maçador bocejo, entrecortado por uns arreliadores sons guturais de quase todos os personagens: Hu! Das quase seis centenas de páginas do romance, umas boas quatrocentas são de palha, o que é uma pena, além, claro, de um nada ecológico desperdício de papel.
Se o escritor tivesse seguido os ensinamentos do monge Tenzing, teria usado de mais parcimónia no uso das palavras e obraria, certamente, uma obra mais económica. Em vez disso, esbanjou-as a seu bel-prazer, resultando daí um livro, por vezes, entediante e repetitivo.

4 comentários:

Laurentina disse...

O amigo Arrebenta dos “TheBraganza Mothers” lançou-me o desafio para se Iniciar uma corrente de Blogues, subordinada ao tema: "AS DEZ MELHORES IDEIAS PARA CORRER COM ESTES GAJOS RAPIDAMENTE DE CENA!...Uma listagem dos “gajos” pode ser encontrada [AQUI]

Regulamento:
Cada blogue escolhe cinco blogues seus vizinhos, para espalhar a propaganda, referindo a sua origem, "The Braganza Mothers".
O desafio é breve e deve repetir apenas o pontapé de arranque do concurso: lançando a frase escolher "AS DEZ MELHORES IDEIAS PARA CORRER COM ESTES GAJOS RAPIDAMENTE DE CENA!..."
A seu tempo, se abrirá uma caixa de votações, para levar a cabo a ideia.
Propõe-se para data limite o dia 25 de Abril de 2007, único dia em que, durante 100 anos, os Portugueses do séc. XX conseguiram fazer qualquer coisa que se visse.

Se desejares entrar na corrente, estás convidado.
abraço
Beijão grande

Anónimo disse...

Não podia estar mais de acordo!
A crítica era favorável e pensando ver projectado neste romance a qualidade dos outros, comprei o livro, que aliás nem é barato, diga-se… lá para o meio comecei a perceber que apesar da vasta pesquisa, o produto resultava enfadonho. Mesmo assim, persisti confiando que iria ser surpreendida com alguma tese interessante e inovadora sobre o universo, a sua origem e o que está para além dele, tema amplamente explanado na literatura de ficção. Afinal, nem isso…aparentemente José Rodrigues dos Santos apropriou-se de algumas ideias de Isaac Asimov e reescreveu-as num contexto diferente mas cuja personagem central, o professor Tomás de Noronha, já era nossa conhecida.
Afinal, nada de novo!!!

Beijos!

Tozé Franco disse...

Tirando a particularidade de parte da História acontecer em Coimbra, o resto é engonhanço, como diria o GAto Fedorento.
Para mim o que masis gostei foi "A filha do capitão"
Um abraço e bom Domingo.

citadinokane disse...

Uma boa semana...
Pedro