
Chegou-me hoje à caixa do correio, encaminhado já me não lembro por quem, um
link que remetia para uma notícia do
Correio da Manhã de há meia dúzia de dias onde Mário Nogueira, secretário-geral da
Frenprof, respondia a algumas questões e, entre outras coisas, se insurgia contra as arbitrariedades e injustiças que, por estes dias, vão atazanando a vida dos professores. Embora o
mail chamasse a atenção para a entrevista, confesso que esta pouco interesse me despertou – para mal do país este estado de coisas começa a eternizar-se –, antes me chamaram a atenção os comentários que a dita entrevista mereceu dos leitores. De um modo geral as opiniões iam, monotonamente, no sentido de dizerem que
os malandros dos professores não querem é ser avaliados, enfim, a ladainha que lhes vêm ensinando há tempos e eles, sem qualquer capacidade de discernimento – não diria análise –, vão repetindo. De todos esses comentários elegi um que antecipa, na perfeição, aquilo que os nossos alunos, aqueles que hoje se sentam nos bancos da escola, poderão vir a fazer no futuro se rapidamente não se arrepiar caminho. O Jorge, diante do monitor, como se enfrentasse uma turba imensa de indolentes e odiosos, disse de sua justiça:
02 Outubro 2008 – 11h06 JORGEÈU ACHO QUE TODA A GENTE QUE TRABALHA PARA O ESTADO SEJA AVALIDO E QUEM NAO PRESTA RUA.NÒS PUDEMOS VÈR POR EZEMPLO O NOTÀRIO HOJE E HA DEZ ANOS,POR EZEMPLO OS PREFESSORES, SAO ULGUNS!ÈU SEI O QUE PASSEI NA ESCOLA( HOJE TENHO ÒDIO AOS PROFESSORES TODOS.JORGE DA RIBEIRA DE JOAO DE LAGOS.
O Jorge lá terá as suas razões para odiar os professores – mas os professores todos Jorge? Então o Jorge não sabe que em todas as profissões há inconscientes e malandros mas também trabalhadores e responsáveis? Não sabe Jorge? Nem a escola da vida lhe ensinou isso? Que raio anda o senhor a fazer que passa pela vida e não consegue sequer aperceber-se destas coisas? - e os professores, olhando às circunstâncias, até lhe podem perdoar, mas o que hoje está a ser feito à escola, isso, nem os professores nem o país perdoarão porque, neste caso, quem o faz “sabe o que faz”.