
Há que puxar pela imaginação porque a notícia vinha extirpada de uma parte importante para a cabal compreensão do sucedido – o busto de Deborah.
A história conta-se em duas penadas. Numa obscura cidadezinha do interior da Alemanha, Deborah Moscone, assistente de vendas de 20 anos de idade, subiu para o autocarro e instalou-se num dos bancos da frente. Quando, passados instantes, o condutor procurou o espelho retrovisor o que lá encontrou foi uma imagem que faria as delícias de qualquer mortal cá das bordas do mediterrâneo, mas não as dele: o formoso busto de Deborah, alegremente decotado, enchia o espelho. O motorista parou o autocarro, dirigiu-se à atónita passageira e fez-lhe ver que a dita imagem do espelho o incomodava e que, com aquela atitude, estava a pôr em perigo a segurança dos restantes passageiros do autocarro. Desconheço se a despeitada passageira aconchegou o vestuário, saiu na próxima paragem ou mudou de lugar, a notícia não o dizia, mas apresentou queixa da situação. E se estava à espera que a companhia tivesse dado um puxão de orelhas ao assalariado, desengane-se, a decisão do condutor foi louvada pela entidade patronal, alegando que, em nenhuma circunstância, os motoristas podem ser distraídos durante o exercício da função.
Pois é, meus caros, lá para cima, a linha que separa o trabalho do conhaque é um muro intransponível mas mais cá para baixo essa linha é tão ténue, mas tão ténue, que, as mais das vezes conseguimos coexistir dos dois lados.
Viva o decote da Deborah!