
Lembrei-me deste episódio quando, ontem, li as conclusões de um estudo sobre as carências alimentares dos nossos jovens onde se conclui que 12% dos alunos vão para a escola com o estômago vazio. O estudo apurou ainda que no ano passado essa percentagem tinha sido já de 8% e que no próximo será ainda bem mais grave. Este é já o principal factor do insucesso escolar.
Há vinte anos, por alturas da guerra do golfo, Sócrates não tinha tempo para estas minudências. Coisas bem menos prosaicas, como a escolha de uma boa escola de engenharia para fazer a sua formação, ocupar-lhe-iam o espírito, de modo que não terá ouvido o Coronel. Foi pena. Se o tivesse ouvido talvez tivesse pensado em alimentar os nossos jovens convenientemente antes de enxamear as escolas com computadores. Não sei quem lhe terá dito que se abarrotasse as escolas de computadores, internet e quadros interactivos os nossos alunos, como que por magia, ficavam mais inteligentes e, dentro de meia dúzia de anos, ninguém notaria a diferença entre Portugal e a Finlândia. Não sei quem lhe terá dito, mas sei que doze em cada cem computadores já estão parados. Os donos têm de lutar por prover as necessidades básicas e essas não são, com certeza, um computador.