
Nestes dias de raiva em que um primeiro-ministro, quase de uma assentada, processa nove jornalistas porque não gosta do que escrevem;
Nestes dias de cólera em que um mangas-de-alpaca suspende um funcionário porque viu, na anedota que contou, matéria susceptível de melindrar o chefe;
Nestes dias de fúria em que vemos a polícia entrar por uma escola adentro para fazer perguntas “indiscretas” sobre a próxima manifestação;
Nestes dias de ira em que se exonera um director porque não mandou retirar um cartaz onde um seu subordinado tinha escrito uma frase proferida por um ministro e, pasme-se, considerada ofensiva para o mesmo;
Nestes dias de chumbo em que sinto estarmos, ordeiramente, entrando num gigantesco panopticon, trinta e cinco anos depois de Abril, lembrei-me, sabe-se lá porquê, do Chico Buarque:
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim