11 fevereiro 2010

UMA HISTÓRIA DAS ARÁBIAS

Na minha aldeia, em tempos que já lá vão, costumávamos, em presença de certos e determinados espécimes do género feminino, proferir uma determinada máxima que rezava mais ou menos assim: “A mulher de bigode ninguém a…”, ah, já entendi, afinal não era só na minha aldeia que costumávamos dizer isto, vejo agora que todos nós, afinal, conhecíamos o aforismo. Hoje, por razões óbvias, por cá, este adágio caiu – vai caindo, melhor dizendo – no esquecimento. Ainda bem. É sinal que as mulheres estão mais bonitas e as Gillettes mais democratizadas.
Lembrei-me hoje das mulheres de bigode quando entrevi a aflição do árabe que após ter contraído matrimónio e ter obtido licença para levantar o véu, descobriu que a mulher, além de ser vesga, coisa de somenos, ainda tinha a cara coberta por espessa barba. Imagino o beduíno a levantar o niqab e a deparar-se com aquela paisagem medonha e, conhecendo ele o adágio português, antecipar um futuro difícil e de muita luta para concretização das suas obrigações matrimoniais.
O noivo, ao que dizem os despachos das agências de notícias, será um diplomata dos Emirados Árabes Unidos e a noiva, médica de formação, ter-lhe-á sido oferecida pela mãe que terá sonegado alguma informação que, viu-se depois, era de capital importância. O despeitado, depois do susto, não perdeu tempo: apelou para um tribunal islâmico do Dubai para que, não só lhe fosse concedido o divórcio mas também fosse ressarcido das chorudas quantias gastas em presentes para a futura esposa, acusando ainda a mãe desta de o ter enganado com fotografias da sua outra filha, por certo escanhoada e sem olhos tortos.
O tribunal, outra decisão não seria de esperar de um tribunal daquelas paragens, deu razão ao queixoso. Embora não lhe tenha restituído a pipa de dirhams que gastou a galantear a beldade, anulou-lhe o casamento. Se dúvidas ainda houvesse, cá está mais uma prova da injusta lei da sharia: o plenipotenciário, ao invés de lhe ser concedido o divórcio, deveria ter sido obrigado a conviver até ao fim dos seus dias com aquela face máscula, uma pena justa para todos aqueles que obrigam as mulheres a tapar-se da cabeça aos pés com aqueles espartilhos medievais.

1 comentário:

as-nunes disse...

Alegações finais de boa estirpe.

Com a Guerra Santa recentemente decretada contra os Cristãos e Judeus de todo o Mundo, ainda mais corajosa se mostra tão veemente e contundente crítica a certos comportamentos ditados por critérios completamente fora de tempo!...

Um abraço, amigo Carlos Ponte
António