
Quanto a descobertas há-as de três tipos: aquelas que resolvem um problema e fazem avançar o mundo; aquelas que ninguém, por qualquer razão, sabe para que servem e, eventualmente, só a prazo, farão avançar o mundo e o terceiro tipo, aquelas que toda a gente sabe que não servem para nada e nunca farão avançar o mundo.
Os jornais, as revistas e a nossa caixa de correio electrónico estão enxameados de exemplos do terceiro tipo. De vez em quando alguém tem a feliz ideia de mostrar em que se gasta o dinheiro do orçamento de estado e, então, todos ficamos mais documentados: se se peidar, ininterruptamente, durante 6 anos e 9 meses, produzirá gás suficiente para criar a energia de uma bomba atómica…
Vem isto a propósito de um artigo que, há dias, li. Um investigador da Universidade de Lisboa, num estudo sobre a indisciplina, propôs aos seus alunos a seguinte tarefa: saber, numa determinada escola dos arredores da capital, quantas vezes os professores fizeram participações dos seus alunos. Recolhida e tratada a informação , comparou os resultados com os que tinha obtido em idêntico estudo nos anos oitenta e concluiu que o número de participações feitas, então, durante cerca de meia década, era, sensivelmente, o mesmo que na actualidade se faz num trimestre. Depois de várias considerações e de dizer que hoje tem dificuldade em resumir as causas do mau comportamento, tantas elas são, João Amado, assim se chama o investigador, remata de forma lapidar: “Ultimamente, os professores têm sido vítimas da desvalorização da sua própria condição e do seu estatuto pelo poder político, o que se vai traduzir na representação que a sociedade faz dos professores. E isto tem reflexos na sala de aula”.
Sem querer menosprezar o trabalho do investigador, sou forçado a acrescentar um quarto tipo de descobertas: as não descobertas, aquilo que toda a gente já sabe e por isso não se devia gastar tempo nem dinheiro a investigar. Todos sabemos – parece que, apenas com a excepção da própria e dois senhores que aparecem sempre atrás dela fazendo esgares de desvelo –, que a Senhora Ministra da Educação, nestes dois últimos anos, fez, ou patrocinou, estragos na imagem do professor que levarão muitos anos a corrigir. E isto paga-se caro. E isto pagar-se-á caro.