29 julho 2006

CLARO QUE TENHO FOME!

Claro que tenho fome!
Claro que tenho medo
de esquecer meu nome
de perder meu segredo!

Claro que não sei ler!
Mas não temo sonhar
que um dia hei-de saciar
o ventre de uma mulher.

Hei-de dizer a meu filho
que as árvores morrem de pé.
Ele vai entender, eu confio,
e quando dermos as mãos,
na gramática do amor,
havemos de construir
uma nova Guiné.
Não vês como sei sorrir?

José Luís Carvalhido da Ponte, ora di djunta mon tchiga, Julho de 2006

2 comentários:

asn disse...

Há lá coisa mais empolgante que uma poesia sentida, desinibida, de estilo despretensioso, pessoal, capaz de nos convocar para uma candente questão social?
Escrevi um soneto quando tinha para aí uns 17 anos e me julgava apaixonadíssimo por uma jovem da minha idade, Helena de seu nome e com o seu nome já colcocado numa campa...Morte por suicídio, ainda jovem..........................
Ainda hoje o seu de cor e salteado.......................
Um abraço caro amigo Carlos Ponte (Ponte Eiffel, que grande confusão que anda aí por Viana!)
António

Xico Rocha disse...

Querido Carlos Pontes, o que de mais bonito tem na poesia é sua vertente solidário.
Parabéns.