11 agosto 2006

NEM QUE SEJA UMA GAROA

Desgraçadamente, o país continua a arder!
A natureza não ajuda: as temperaturas continuam altíssimas e a humidade baixíssima;
Os homens também não: por negligência ou por maldade continuam a atear fogos.
Somando todos os hectares que anualmente vão sendo consumidos pelas chamas, temo que as nossas florestas não consigam aguentar por muito mais tempo. Duvido que a mãe natureza tenha capacidade de regeneração que permita acudir a todas estas perdas.
Ou será que estarei enganado? Será que desde sempre, durante o Verão, aconteceu esta desgraça só que as notícias demoravam muito mais tempo a chegar – quando chegavam – levando-nos a pensar que os fogos eram apenas aqueles que queimavam os montes que se divisavam da nossa janela? Hoje, o fogo e o desespero das pessoas entram-nos em directo pelas casas adentro e o horror é repetido até à exaustão, com todas as televisões a competir pelos pelas melhores imagens – pelo maior pavor, entenda-se.
Lembro-me de em tempos ouvir o director de uma estação de televisão Japonesa, afirmar, a propósito do poder imenso da televisão: “Se a televisão não mostrou o incêndio na floresta, será que ela, realmente, ardeu?”. Tenho pensado bastante nisso. Será que a floresta sempre ardeu como agora só que como a televisão não mostrou...
Gostava de ouvir algumas opiniões.
Entretanto, socorro-me de um poema de Geraldo Azevedo, pedindo a S. Pedro que mande alguma chuva - nem que seja uma garoa - aqui para o nosso sertão, e já agora para os Galegos nossos vizinhos que não estão nada melhor do que nós:



Meu São Pedro me ajude
Mande chuva, chuva boa
Chuvisquinho, chuvisquinho
Nem que seja uma garoa


Geraldo Azevedo, Balão de Garoa

2 comentários:

manuel neves disse...

Viva!
Quero-lhe agradecer (embora tardiamente) a sua passagem pelo meu pobre blog, assim como a gentileza que teve ao colocar uma ligação ao populusromanus.
Sinto que nem sempre é necessário a televisão mostrar a floresta em combustão, em sofrimento, em agonia quase permanente; pois ouvimos o seu grito, respiramos o seu cheiro enquanto definha. Como fazemos em relação a tantas outras coisas, não cuidamos da saúde da floresta (ou tratamos mal), não sabemos encaminhá-la, respeitá-la, quase que nos transformamos em assassinos à solta que sem o sabermos cuidamos do nosso suicidio.

Um Fraterno Abraço

Tozé Franco disse...

Também penso que a pressão da televisaõ para mostrar notícias, especialmente as desgraças, contribui, por vezes, para termos a sensação que hoje acontecem coisas que antigamente não aconteciam.
No caso dos fogos, para nossa infelicidade, a situação é pior do que há uns anos pois o crescente abandono dos campos, a desertificação do interior do país, o mato que deixou de ser necessário para os animais e que fica a acumular-se nas matas,
e a monocultura florestal (uma mancha contínua de pinheiros é um erro, por exemplo) têm contribuído para esta situação calamitosa.
O que me admira é que ainda haja algo para arder.
Um abraço