05 dezembro 2008

ESTAREI...

Ontem, chamada, salvo erro, pelos bloquistas, a ministra da educação foi, mais uma vez, ao parlamento. Confesso que me começa a faltar a pachorra para aturar as cretinices da senhora, mas, de relance, dei uma vista de olhos na meia dúzia de segundos que um dos canais dedicou ao assunto no jornal das oito. Apesar do interesse fugidio que dediquei ao acontecimento houve três pormenores que retive: o primeiro foi o semblante carregado da senhora que aquela indumentária de corvo, em nada favorecia. Devia despedir o assessor de imagem. A segunda tem a ver com o tempo verbal empregue numa afirmação “estarei totalmente aberta à discussão…”. Devo referir que este “estarei”, não se refere ao amanhã, nem sequer ao próximo mês, refere-se, isso sim, ao próximo ano ou aos próximos anos. Ouvir esta afirmação causou-me uma impressão horrível. Imaginar esta ministra, acolitada por aqueles dois mostrengos, nos próximos anos, a continuar a fazer o trabalho medonho que tem feito até agora. A quem não passou despercebido este “estarei”, devia ter passado pela mesma experiência pavorosa. Deus nos livre de tal provação. A terceira tem mais a ver com o conteúdo da mensagem. Uma mensagem, pelo menos, imbecil, que demonstra à saciedade as intenções destes senhores: “O modelo pode ser corrigido mas primeiro tem de ser aplicado”. Quando a ministra, enfrentando os parlamentares da nação, faz uma afirmação destas, acaba de esvaziar qualquer resquício de credibilidade que poderia ainda conter.

PS: a ministra mostrou-se ao país, cansada, triste, azeda e, pior que tudo, oca. A oferta que lhe fiz há 9 meses mantém-se. Na esperança de que a senhora, finalmente, aceite, tenho, desde aí, paulatinamente, aclarando a voz.

2 comentários:

Ferrreira disse...

Concordo com o artigo de uma forma quase total... Só acho que não havia necessidade de tratar mal os pobres dos corvos....

Helena Guerreiro disse...

Não tenho dúvidas que saberias “dar música” à Senhora Ministra com aprimorada retórica, ou não fosses tu um eloquente orador; já quanto aos teus dotes de barítono tenho as minhas reservas, suspeito até que surtiria o efeito contrário. Por isso, e para bem de todos nós, contem-te na abnegação à causa!